TRANSTORNOS MENTAIS E COMPORTAMENTAIS EM PACIENTES ATENDIDOS EM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO EM 2024: ESTUDO OBSERVACIONAL TRANSVERSAL

Autores

  • Leonardo Mendes Autor
  • Guilheme Santos Bellusci Autor
  • Roberto Cezar Vasconcelos dos Santos Junior Autor
  • Pedro Henrique de Mattos Autor
  • Eduardo Federighi Baisi Chagas Autor
  • Heloisa Helou Doca Autor

Palavras-chave:

Transtornos mentais, Autismo. Epidemiologia, Hospital universitário. Saúde mental.

Resumo

Introdução: A saúde mental representa um dos principais desafios contemporâneos para os sistemas de saúde, especialmente em países de média e baixa renda como o Brasil, onde desigualdades sociais, limitações de acesso e fragmentação da rede de cuidado ampliam a vulnerabilidade populacional. Os transtornos mentais e comportamentais (TMC) possuem alta prevalência e estão associados a importante impacto na qualidade de vida, funcionalidade e carga global de doença. Nesse contexto, hospitais universitários se destacam como centros estratégicos de alta complexidade, investigação científica e formação profissional, permitindo identificar padrões epidemiológicos, demandas emergentes e lacunas assistenciais. Entre os TMC, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) ganha relevância por ser uma condição neuroevolutiva complexa, frequentemente subdiagnosticada, com variação diagnóstica significativa e serviços insuficientes, sobretudo para adultos. Apesar disso, ainda são escassos estudos nacionais de grande escala que analisem a distribuição dos TMC segundo sexo, idade e sazonalidade em serviços hospitalares. Assim, este estudo busca preencher essa lacuna ao investigar o perfil dos atendimentos por TMC em 2024 em um hospital universitário, oferecendo evidências atualizadas para orientar práticas clínicas e políticas de saúde mental. Objetivo: Analisar a prevalência de transtornos mentais e comportamentais, incluindo o transtorno do espectro autista, em pacientes atendidos em hospital universitário em 2024, considerando sexo, faixa etária e distribuição mensal dos atendimentos. Método: Estudo observacional transversal analítico, seguindo diretrizes STROBE, realizado no Hospital Beneficente UNIMAR (HBU) com dados secundários de todos os atendimentos de 2024, excluindo 13 registros por inconsistência no sexo. A amostra totalizou 198.456 atendimentos, sendo 1.644 classificados como transtornos mentais e comportamentais (TMC), sem grupos de comparação externos. As variáveis coletadas foram sexo, idade, faixa etária, mês do atendimento e códigos CID-10, considerando como desfecho principal os TMC e, para aprofundamento, o autismo (F840). Idade foi categorizada conforme OMS: criança (0–9), adolescente (10–19), adulto jovem (20–39), meia-idade (40–59) e idoso (>59). As análises incluíram estatística descritiva, teste t ou Welch para comparação de médias, e Qui-quadrado para proporções e associações, adotando nível de significância de 5%. Resultados: Foram analisados 198.456 registros, sendo 64,2% do sexo feminino e 35,8% masculino. A média de idade geral foi 49,1 anos (DP=21,3), com predominância de idosos (36,1%) e indivíduos de meia-idade (32,2%). A prevalência de transtornos mentais e comportamentais (TMC) foi 0,83% (n=1.644), enquanto os demais diagnósticos representaram 99,17%. Entre os TMC, o transtorno autista (F840) foi o mais frequente, com 15,45% dos casos, seguido por episódio depressivo leve (F320; 10,10%) e transtorno depressivo recorrente leve (F330; 6,51%). A análise por sexo mostrou maior proporção de TMC em homens (1,0% vs. 0,7%; p<0,001). Quanto à distribuição etária, idosos concentraram 28,7% dos casos, seguidos por indivíduos de meia-idade (23,5%), enquanto crianças (16,5%) e adolescentes (16,1%) também representaram parcela relevante (p<0,001). Para o autismo, observou-se predominância masculina (11,9% vs. 3,8%; p=0,003) e maior ocorrência em crianças (8,4%). Em relação à sazonalidade, outubro registrou o maior número de TMC (10,0%), enquanto dezembro apresentou a menor frequência (6,8%), com diferença significativa entre meses (p<0,001). O autismo também variou mensalmente (p=0,033), com picos em outubro e dezembro. Conclusão: Os achados evidenciam o autismo como o diagnóstico mais prevalente entre os transtornos mentais, especialmente em homens e crianças, reforçando o papel do hospital como referência em neurodesenvolvimento. A maior proporção de TMC em homens e idosos sugere que casos mais complexos chegam ao serviço. A variação mensal indica possível influência sazonal ou organizacional na demanda. A baixa prevalência geral de TMC destaca a importância da codificação adequada. Esses resultados reforçam a necessidade de protocolos específicos e maior capacitação profissional em saúde mental.

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Publicado

2026-09-23