PANORAMA DA DOENÇA RENAL CRÔNICA EM PACIENTES ATENDIDOS EM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO EM 2024: UM ESTUDO OBSERVACIONAL TRANSVERSAL

Autores

  • Stella Barradas Queiroz Carmona Autor
  • Isadora Maciel de Andrade Haik Autor
  • Larissa Roberta Dos Santos Leite Autor
  • Gabriela Sant’Anna Vicente Autor
  • Eduardo Federighi Baisi Chagas Autor
  • Heloisa Helou Doca Autor

Palavras-chave:

Doença Renal Crônica/Epidemiologia, Prevalência, Hospitais Universitários.

Resumo

Introdução: A Doença Renal Crônica (DRC) é um relevante problema de saúde pública, associada a elevada morbimortalidade cardiovascular e ao envelhecimento populacional. No Brasil, observa-se aumento sustentado do número de indivíduos em terapia renal substitutiva e persistência de desigualdades no acesso ao diagnóstico oportuno e ao tratamento especializado, o que amplia custos e piora desfechos clínicos. A detecção e o manejo precoces, com estratificação de risco, monitoramento da taxa de filtração glomerular (TFGe) e avaliação de albuminúria, são fundamentais para retardar a progressão da doença e mitigar impactos sistêmicos. Persiste, entretanto, uma lacuna de conhecimento local quanto ao perfil epidemiológico de diagnósticos renais em serviços universitários, especialmente no tocante ao predomínio de registros inespecíficos (CID-10 N189), que podem dificultar a adequada estratificação clínica e o planejamento de políticas assistenciais. Objetivo: Estimar a prevalência de doenças renais, com foco na insuficiência renal crônica não especificada (CID-10 N189), entre pacientes atendidos em hospital universitário em 2024, descrevendo a distribuição por sexo, faixa etária e mês, e comparando a idade média dos acometidos com a da população geral atendida. Método: Estudo observacional transversal analítico, realizado a partir de 198.442 atendimentos registrados no Hospital Beneficente UNIMAR (HBU) ao longo de 2024. A amostra incluiu diagnósticos do capítulo “Doenças do Sistema Geniturinário” (CID-10 N00–N19), agregados como “Doenças Renais”. Variáveis analisadas: sexo, faixa etária e mês do atendimento. A estatística principal contemplou frequências e médias, teste do Qui-quadrado para comparação de proporções e teste t de Welch para comparação de médias (α=0,05), com exclusão de registros com inconsistências na variável sexo. Resultados: A prevalência de doenças renais foi de 0,4% (n=871). Entre esses registros, a N189 respondeu por 71,5% dos casos, indicando predomínio de diagnóstico inespecífico. Observou-se maior ocorrência no sexo masculino (78,1%) e em idosos (78,1%), diferenças estatisticamente significativas (p<0,001). A idade média dos pacientes com doença renal foi de 67,5±16,6 anos, significativamente superior à média da população geral atendida (48,9±21,4; p<0,001). Houve variação mensal na proporção de casos ao longo do ano (p<0,001), com maior carga relativa no segundo semestre, sugerindo flutuações sazonais ou operacionais a serem mais bem exploradas em análises subsequentes. A distribuição por faixas etárias mostrou rarefação em crianças e adolescentes, aumento progressivo em adultos e concentração em meia-idade e idosos, padrão compatível com a natural história da DRC e com a agregação de comorbidades cardiometabólicas. Conclusão: A DRC apresentou maior frequência em homens e idosos no cenário hospitalar universitário analisado, reforçando o papel do envelhecimento e de comorbidades, como hipertensão e diabetes, na carga de doença. O predomínio do diagnóstico inespecífico (N189) evidencia fragilidades nos registros e na estratificação clínica, com potencial impacto negativo na identificação de risco e no encaminhamento oportuno. Os achados sustentam a necessidade de aprimorar o rastreamento de populações de risco (TFGe e albuminúria), padronizar a codificação diagnóstica e qualificar fluxos assistenciais entre atenção primária e nefrologia. Ademais, ressaltam a importância da vigilância epidemiológica hospitalar e o papel estratégico dos hospitais universitários na formação profissional e na produção de conhecimento aplicado, recomendando-se estudos longitudinais para avaliar progressão, desfechos clínicos e efetividade de intervenções nefroprotetoras.

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Publicado

2026-09-23