PREVALÊNCIA DE CÁLCULOS DA VESÍCULA BILIAR SEM COLICISTITE EM PACIENTES ATENDIDOS EM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO EM 2024: ESTUDO OBSERVACIONAL TRANVERSAL
Palavras-chave:
Colelitíase, Cálculos biliares, Epidemiologia, Fatores de risco, Vesícula biliar.Resumo
Introdução: As doenças da vesícula biliar e dos ductos biliares representam um importante problema de saúde pública devido à elevada prevalência e impacto sobre a qualidade de vida. Entre elas, a colelitíase caracterizada pela formação de cálculos biliares destaca-se como a condição mais comum do sistema biliar. Sua ocorrência está associada a fatores como idade avançada, sexo feminino, obesidade, dieta hiperlipídica e sedentarismo. A maioria dos casos é assintomática, mas a doença pode evoluir para complicações graves, incluindo colecistite, colangite e pancreatite. A epidemiologia da colelitíase varia conforme fatores genéticos, ambientais e culturais, o que reforça a necessidade de investigações regionais. Nesse contexto, o presente estudo analisou a prevalência e o perfil clínico-epidemiológico das doenças da vesícula e dos ductos biliares em pacientes atendidos em um hospital universitário de Marília (SP) ao longo de 2024. Objetivo: O objetivo principal deste estudo foi determinar a prevalência de cálculos biliares sem colecistite (CID K802) e outras doenças biliares em atendimentos hospitalares no ano de 2024. Além disso, o estudo buscou analisar a distribuição dos casos de acordo com sexo, faixa etária e mês de atendimento. Buscou-se ainda identificar padrões epidemiológicos locais e discutir possíveis fatores associados, subsidiando estratégias de prevenção e manejo clínico. Método: Trata-se de um estudo observacional transversal e analítico de prevalência, conduzido conforme as diretrizes do STROBE. Foram analisados dados secundários de atendimentos registrados no Hospital Beneficente UNIMAR (HBU), em Marília (SP), entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2024. Incluíram-se todos os registros com diagnósticos classificados entre CID-10 K80–K83 (doenças da vesícula biliar e vias biliares). Foram excluídos registros inconsistentes ou duplicados. As variáveis analisadas incluíram sexo, idade (contínua e categorizada) e mês de atendimento. As análises estatísticas foram realizadas no software Jamovi®, utilizando testes t de Student/Welch para médias e teste do Qui-quadrado para proporções, com nível de significância de p < 0,05. O estudo teve caráter censitário, abrangendo todos os atendimentos do período, sem cálculo amostral. Resultados: Foram analisados 198.442 atendimentos, dos quais 1.735 (0,9%) apresentaram diagnóstico de doenças da vesícula ou ductos biliares. Observou-se predomínio no sexo feminino (74,5%), diferença estatisticamente significativa (p < 0,001). A idade média dos casos foi de 50,2 anos, com maior frequência em adultos (67,8%) e idosos (30,7%). Quanto à distribuição temporal, houve variação sazonal discreta, com picos em outubro e novembro. O CID K802 (cálculo da vesícula biliar sem colecistite) representou 40,7% dos diagnósticos, seguido de K808 (outras doenças da vesícula biliar, 27,2%). Esses achados refletem predominância de formas não complicadas, embora os códigos de complicações também sejam relevantes. Os resultados confirmam o padrão epidemiológico esperado: maior prevalência em mulheres e indivíduos acima de 40 anos, possivelmente relacionada à influência hormonal e a fatores metabólicos e comportamentais. A variação mensal sugere influência de fatores sazonais e alimentares. Conclusão: O estudo identificou prevalência de 0,9% de doenças da vesícula e ductos biliares entre os atendimentos hospitalares de 2024, com predominância de cálculo da vesícula sem colecistite, especialmente em mulheres adultas e idosas. Os resultados reforçam o papel dos fatores hormonais e metabólicos na gênese da colelitíase e destacam a necessidade de ações preventivas dirigidas a grupos de risco, com ênfase em controle de peso, alimentação equilibrada e atividade física regular. Mais estudos são necessários para entender completamente os mecanismos envolvidos e validar essas abordagens na prática clínica e no dia a dia do paciente, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida e o tratamento.Downloads
Publicado
2026-09-23
Edição
Seção
Resumos