PERFIL DAS CONDIÇÕES PERINATAIS EM PACIENTES ATENDIDOS EM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO EM 2024: ESTUDO OBSERVACIONAL TRANSVERSAL
Palavras-chave:
Condições Perinatais, Desconforto Respiratório, Icterícia Neonatal, Recém-nascido.Resumo
Introdução: As condições perinatais representam um importante grupo de agravos responsáveis por significativa morbimortalidade neonatal, abrangendo complicações respiratórias, metabólicas e infecciosas que exigem reconhecimento precoce e manejo especializado. Entre essas condições, destacam-se a do desconforto respiratório e a icterícia neonatal, que, embora apresentem prevalências variáveis, são frequentemente associadas à prematuridade, inadequações no pré-natal, via de parto e fatores biológicos relacionados ao recém-nascido. Esses agravos configuram desafios relevantes no contexto hospitalar e reforçam a importância de estudos epidemiológicos capazes de identificar padrões de ocorrência e fatores relacionados, especialmente em ambientes de ensino, onde o monitoramento contínuo qualifica práticas assistenciais e subsidia decisões clínicas. Nesse sentido, a análise das condições perinatais no Hospital Beneficente Unimar (HBU) fornece subsídios para compreender a dinâmica desses eventos ao longo do ano e suas relações com variáveis demográficas e sazonais. Objetivo: Analisar a prevalência e o perfil das condições perinatais em pacientes atendidos no HBU ao longo do ano de 2024, considerando sexo, faixa etária e distribuição mensal, com ênfase na identificação dos principais diagnósticos, especialmente do desconforto respiratório e icterícia neonatal. Métodos: Trata-se de um estudo observacional transversal analítico, conduzido segundo as diretrizes STROBE. Foram avaliados 198.442 registros hospitalares referentes ao ano de 2024, provenientes de dados secundários do sistema de atendimento do HBU. Os códigos do CID-10 relacionados ao capítulo de “Doenças e condições do período perinatal” foram agrupados na categoria “Condições Perinatais”, constituindo o desfecho principal. Foram excluídos oito registros que, embora presentes no banco de dados, não se enquadravam no tema. As variáveis incluíram sexo, idade, mês de atendimento e códigos diagnósticos. A análise estatística contemplou medidas descritivas e testes inferenciais. Resultados: As condições perinatais corresponderam a 0,6% dos atendimentos, com maior prevalência entre recém-nascidos do sexo masculino (0,9%) quando comparado ao feminino (0,4%) (p<0,001), reforçando evidências de maior vulnerabilidade fisiológica em meninos, especialmente para complicações respiratórias. O parto cesáreo (46,6%) foi o diagnóstico mais frequente, seguido pelo desconforto respiratório neonatal (24,4%) e pela icterícia neonatal (4,0%). Entre os desfechos principais, o desconforto respiratório foi mais prevalente em recém-nascidos do sexo masculino (58,1%), enquanto a icterícia neonatal predominou no sexo feminino (64,4%) (p=0,012). A distribuição ao longo dos meses revelou variação sazonal significativa, com maior concentração de casos em março, novembro e dezembro, sugerindo influência de padrões climáticos. Conclusão: As condições perinatais, embora pouco frequentes no conjunto total de atendimentos, apresentam grande relevância epidemiológica e clínica devido ao potencial de evolução para quadros graves. A predominância de partos cesáreos e a expressiva ocorrência de desconforto respiratório e icterícia neonatal ressaltam a necessidade de aprimoramento das práticas assistenciais, do fortalecimento do pré-natal e da organização de fluxos de cuidado neonatal. Os achados contribuem para a compreensão do perfil perinatal no HBU e reforçam a importância de estratégias de vigilância e intervenção precoce para reduzir desfechos adversos e qualificar o cuidado ao recém-nascido.Downloads
Publicado
2026-09-23
Edição
Seção
Resumos