PREVALÊNCIA DE ISQUEMIA MIOCÁRDICA EM PACIENTES ATENDIDOS EM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO NO ANO DE 2024: ESTUDO OBSERVACIONAL TRANSVERSAL

Autores

  • Gabriella Henn Florenço Lesniewski Autor
  • Giovanna de Oliveira Gomes Autor
  • Henrique Marins Cisneros Autor
  • Maria Eduarda Fontes Luiz Autor
  • Heloisa Helou Doca Autor
  • Eduardo Fredrighi Baisi Chagas Autor

Palavras-chave:

Isquemia Miocárdica. Prevalência. Epidemiologia. Sazonalidade. Hospital Universitário.

Resumo

Introdução: As isquemias miocárdicas representam a principal causa de morbimortalidade no Brasil e no mundo, configurando um problema de grande relevância clínica, social e econômica. Essas condições, que incluem angina instável, infarto agudo do miocárdio e formas crônicas de doença isquêmica do coração, são decorrentes da redução do fluxo sanguíneo para o miocárdio, geralmente por processos ateroscleróticos associados a fatores de risco como hipertensão, diabetes, dislipidemia e envelhecimento. No contexto brasileiro, estudos apontam que as doenças cardiovasculares permanecem liderando as estatísticas de óbito, reforçando a necessidade de análises epidemiológicas contínuas. Hospitais universitários possuem papel central nesse monitoramento por atenderem ampla diversidade populacional, integrarem ensino, pesquisa e assistência e oferecerem grande volume de dados clínicos. Em 2024, com a reorganização dos serviços após os impactos da pandemia de COVID-19 e readequação dos fluxos assistenciais, torna-se ainda mais relevante compreender como as isquemias miocárdicas se distribuíram ao longo do ano. No município de Marília, o Hospital Beneficente Unimar (HBU) é referência regional e possui atendimento de média e alta complexidade, constituindo um cenário apropriado para avaliação da prevalência, dos padrões demográficos e da sazonalidade das isquemias miocárdicas, contribuindo para o planejamento em saúde e aprimoramento da assistência cardiovascular. Objetivo: Analisar a prevalência das isquemias miocárdicas em pacientes atendidos no Hospital Beneficente Unimar (HBU) durante o ano de 2024, considerando distribuição segundo sexo, faixa etária e mês do atendimento. Método: Estudo observacional, transversal e analítico, conduzido conforme as diretrizes STROBE, baseado em dados secundários extraídos do sistema de registros hospitalares do HBU referentes ao ano de 2024. Foram incluídos todos os 198.442 atendimentos do período, com exclusão de 13 registros devido a inconsistência na variável sexo. As variáveis analisadas foram idade, sexo, mês do atendimento e códigos CID-10. O desfecho de interesse englobou todos os códigos relacionados às isquemias miocárdicas, incluindo angina instável, infarto agudo do miocárdio, doença isquêmica crônica e categorias inespecíficas. A idade foi categorizada segundo a classificação da OMS. Para análise estatística, utilizaram-se técnicas descritivas, teste de Qui-quadrado para proporções, teste de Levene para homogeneidade de variâncias e testes t de Student ou Welch, adotando significância de 5%. Resultados: A prevalência geral de isquemia miocárdica foi de 6,3% (n = 12.515). A média de idade dos pacientes com o desfecho (60 anos; DP = 15,4) foi significativamente maior que a dos demais atendimentos (48,2 anos; DP = 21,5) (p < 0,001). Embora as mulheres tenham representado a maioria dos atendimentos hospitalares (64,2%), a prevalência da isquemia foi maior entre homens (7,7%) do que entre mulheres (5,5%), diferença estatisticamente significativa (p < 0,001). A análise da faixa etária revelou aumento progressivo da prevalência com o avançar da idade, com concentração dos casos entre indivíduos de meia-idade (33,5%) e idosos, que corresponderam à maior parcela (56,5%) dos diagnósticos. Identificou-se variação sazonal relevante, com picos de casos entre agosto, setembro e outubro, meses caracterizados por condições climáticas de transição na região. Em relação à classificação diagnóstica, verificou-se predominância marcante do código I248 (“outras formas de doença isquêmica aguda do coração”), responsável por 96,71% dos registros, revelando baixa especificação no uso dos códigos e indicando limitações operacionais nos sistemas de informação hospitalar. Conclusão: A análise demonstrou prevalência expressiva de isquemia miocárdica no HBU em 2024, com maior ocorrência em homens, idosos e nos meses de transição climática. Os achados reforçam padrões epidemiológicos já conhecidos e evidenciam a importância de estratégias preventivas direcionadas a grupos de maior risco. A predominância de códigos inespecíficos destaca a necessidade de aprimoramento dos processos de codificação e registro, o que pode contribuir para maior precisão diagnóstica, melhor planejamento assistencial e fortalecimento da vigilância epidemiológica.

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Publicado

2026-09-23