PREVALÊNCIA DE DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA EM PACIENTES ATENDIDOS EM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO EM 2024: ESTUDO OBSERVACIONAL TRANSVERSAL

Autores

  • Henrique Villa Chagas Autor
  • Joao Lucas Simoes Abreu Autor
  • Thiago Santos Argollo Haber Autor
  • Antônio Fachini Sanches Fernandes Autor
  • Gabriel Saadjian Monteiro Autor
  • Heloisa Helou Doca Autor
  • Eduardo Federighi Baisi Chagas Autor

Palavras-chave:

Epidemiologia. DPOC. Prevalência. Sazonalidade. Sexo. Espirometria.

Resumo

Introdução: A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) constitui importante problema de saúde pública e uma das principais causas de mortalidade global. Apesar de sua elevada prevalência, o subdiagnóstico permanece frequente, especialmente em países de baixa e média renda, onde a disponibilidade de espirometria é limitada. Hospitais universitários desempenham papel estratégico na vigilância epidemiológica por integrarem assistência, ensino e pesquisa, permitindo identificar padrões demográficos e sazonais que influenciam o registro e o manejo da doença. A codificação pelo CID-10, embora amplamente utilizada, pode subestimar a real carga da DPOC quando não há confirmação funcional por espirometria. Assim, compreender as características dos atendimentos e a distribuição dos códigos relacionados à DPOC é essencial para aprimorar políticas de diagnóstico e manejo. Objetivo: Analisar a prevalência de DPOC entre pacientes atendidos em hospital universitário em 2024, descrevendo sua distribuição por sexo, faixa etária e mês do ano, bem como avaliar a frequência de códigos CID-10 específicos e não especificados. Realizou-se também subanálise comparando DPOC especificada (DPOCe) e não especificada (DPOCne). Método: Estudo observacional transversal analítico, seguindo diretrizes STROBE, conduzido a partir de dados administrativos do Hospital Beneficente UNIMAR (HBU) referentes a 2024. Foram incluídos todos os registros do período, excluindo-se 13 por inconsistência no sexo. Variáveis analisadas: sexo, idade, mês de atendimento e códigos CID-10. A DPOC foi definida pelos códigos J40–J44, com subanálise entre DPOCe (J440, J448) e DPOCne (J441, J449). Idade foi categorizada conforme OMS. Utilizaram-se testes qui-quadrado e t/Welch, considerando p ≤ 0.05. Resultados: Foram analisados 198.442 atendimentos, sendo 64,2% do sexo feminino e média de idade de 49 anos. A prevalência de DPOC foi de 0,5% (n=1.074). Pacientes com DPOC eram significativamente mais idosos (média 68,7 anos; p<0,001) e havia maior proporção de homens entre os casos (0,6% vs. 0,5%; p=0,002). A DPOC concentrou-se em idosos (1,2%), enquanto adolescentes e adultos jovens apresentaram prevalências quase nulas. A distribuição mensal mostrou maior frequência entre maio e setembro. Entre os códigos CID-10, destacaram-se J448 (45,7%) e J449 (36,8%), indicando predomínio de diagnósticos “não especificados”. Na subanálise, DPOCe e DPOCne apresentaram proporções semelhantes (51% vs. 49%), com pequenas diferenças por sexo e faixa etária, mas sem padrão temporal consistente. Conclusão: A prevalência de DPOC registrada no hospital foi baixa, sugerindo subdiagnóstico decorrente da ausência sistemática de espirometria e alta frequência de códigos inespecíficos. A doença concentrou-se entre idosos e homens, com variação sazonal compatível com períodos de maior incidência de infecções respiratórias. Os achados reforçam a necessidade de padronização dos registros, ampliação do acesso à espirometria e melhoria das estratégias de vigilância epidemiológica, visando diagnóstico precoce e manejo mais efetivo da DPOC em ambientes hospitalares universitários.

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Publicado

2026-09-23