PREVALÊNCIA DE DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS EM PACIENTES ATENDIDOS EM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO EM 2024: ESTUDO OBSERVACIONAL TRANSVERSAL

Autores

  • Beatriz Massagli Soeiro Autor
  • Gabriela Modolin Arroteia Autor
  • Julia Mel de Moraes Ximenes Autor
  • Wellen Carolina Gonçalves da Silva Autor
  • Eduardo Federighi Baisi Chagas Autor
  • Paula Cristina Cola Autor
  • Cristovam Emílio Herculiani Autor
  • Heloisa Helou Doca Autor

Palavras-chave:

Epidemiologia. Doenças Transmissíveis. Hospitais Universitários. Prevalência. Sazonalidade.

Resumo

Introdução: As doenças infecciosas e parasitárias (DIP) representam um significativo desafio de saúde pública global, com padrões epidemiológicos complexos influenciados por fatores socioeconômicos, ambientais, demográficos e sazonais. Embora estudos nacionais e internacionais demonstrem a relevante carga de morbidade e mortalidade associada a essas doenças, há uma lacuna de conhecimento específica sobre a prevalência e os padrões epidemiológicos dessas condições em pacientes atendidos em hospitais universitários brasileiros, que são centros de referência para populações complexas e diversificadas. Esta lacuna é particularmente relevante considerando as disparidades regionais e a necessidade de vigilância epidemiológica contínua para orientar políticas públicas e ações de saúde mais precisas e contextualizadas. Objetivo: Analisar a prevalência e os padrões epidemiológicos de doenças infecciosas e parasitárias em pacientes atendidos no Hospital Beneficente da Universidade de Marília (UNIMAR) durante o ano de 2024, identificando variações sazonais, perfis demográficos e fatores associados às infecções. Método: Estudo observacional transversal analítico de prevalência, conduzido conforme as diretrizes STROBE. Foram incluídos todos os registros de atendimento do Hospital Beneficente UNIMAR de 2024, categorizados em grupos com diagnóstico de DIP versus outros diagnósticos. A população incluiu indivíduos de diferentes faixas etárias e ambos os sexos. Tipo de doença infecciosa ou parasitária (CID-10), características demográficas (idade, sexo), período de ocorrência (sazonalidade por mês) e faixa etária (classificação da OMS). Utilizou-se estatística descritiva e inferencial, com nível de significância de 5%. Resultados: A prevalência de DIP na amostra foi de 3,1% (6.060 casos). A infecção viral não especificada (CID B349) foi a condição mais frequente, representando 36,0% dos casos de DIP. A análise por faixa etária revelou maior concentração de casos de DIP em idosos (36,1%), enquanto a infecção viral não especificada foi predominante em adultos jovens (53,17%) e indivíduos de meia-idade (40,48%). Não houve diferença significativa na distribuição de DIP entre os sexos (p=0,374), mas observou-se uma variação sazonal significativa (p<0,001), com picos de infecção viral não especificada nos meses de maio (58,06%) e fevereiro (55,46%). A média de idade foi significativamente maior no sexo feminino (50,0 anos) em comparação ao masculino (47,1 anos) (p<0,001). Conclusão: Os resultados evidenciam que as doenças infecciosas e parasitárias representam uma parcela significativa da morbidade no contexto hospitalar estudado, com padrões epidemiológicos distintos influenciados por fatores demográficos e sazonais. A elevada prevalência de infecções virais não especificadas ressalta a necessidade de investimentos em capacidade diagnóstica para identificação etiológica precisa. Os achados reforçam a importância da vigilância epidemiológica contínua e de estratégias de prevenção direcionadas a grupos específicos, como idosos e adultos jovens, visando à redução da carga de DIP e ao fortalecimento de políticas públicas de saúde baseadas em evidências locais.

Downloads

Publicado

2026-09-23