PREVALÊNCIA DE TRANSTORNOS NEURÓTICOS RELACIONADOS AO ESTRESSE EM PACIENTES ATENDIDOS EM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO EM 2024: ESTUDO OBSERVACIONAL TRANSVERSAL
Palavras-chave:
Transtornos neuróticos, Ansiedade generalizada, Epidemiologia, Saúde mental, Estudo transversal, CID-10Resumo
Introdução: Os transtornos neuróticos relacionados ao estresse (TNRE), como ansiedade generalizada, pânico e transtorno de estresse pós-traumático, representam um crescente desafio de saúde pública, agravado após a pandemia de COVID-19. Caracterizados por sintomas persistentes de ansiedade, tensão e preocupação excessiva, esses transtornos afetam de forma significativa a funcionalidade e a qualidade de vida, especialmente entre mulheres e adultos jovens, que figuram como grupos de maior vulnerabilidade. Apesar da relevância epidemiológica e do impacto sobre os sistemas de saúde, essas condições permanecem frequentemente subdiagnosticadas em ambientes hospitalares, em virtude do foco assistencial em doenças físicas e da ausência de protocolos específicos para rastreamento de sintomas emocionais. Nesse contexto, compreender a prevalência e o perfil clínico-epidemiológico dos TNRE em instituições de ensino e assistência torna-se fundamental para subsidiar estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e promoção da saúde mental. Objetivo: Analisar a prevalência dos transtornos neuróticos relacionados ao estresse em pacientes atendidos em um hospital universitário no ano de 2024, identificando sua distribuição segundo variáveis sociodemográficas e clínicas Método: Trata-se de um estudo observacional transversal, analítico e de base hospitalar, conduzido no Hospital Beneficente UNIMAR (HBU). Foram incluídos todos os 198.442 registros de atendimentos realizados entre janeiro e dezembro de 2024. A variável desfecho foi a presença de diagnósticos classificados no grupo de “Transtornos neuróticos relacionados ao estresse” (CID-10: F40–F43). As variáveis independentes analisadas foram sexo, idade, faixa etária e mês do atendimento. Os dados foram obtidos de forma anonimizada a partir do sistema eletrônico da instituição. Foram excluídos 13 registros por inconsistência da variável sexo. A análise estatística incluiu medidas descritivas e testes de Welch e Qui-quadrado, adotando-se nível de significância de 5%. Resultados: Foram identificados 1.030 casos de TNRE, correspondendo a 0,5% do total de atendimentos realizados em 2024. Observou-se predominância do sexo feminino (77,5%), diferença estatisticamente significativa (p < 0,001) em relação ao masculino (22,5%). A idade média dos pacientes com TNRE foi de 42,3 anos, significativamente inferior à média geral de 49 anos (p < 0,001), evidenciando maior acometimento em faixas etárias produtivas. As categorias adulto jovem (39,2%) e meia-idade (37,4%) concentraram a maioria dos diagnósticos, enquanto idosos representaram 16,4% e adolescentes, 6,5%. A análise temporal revelou variação significativa (p < 0,005), com picos de atendimento nos meses de outubro (10,3%) e novembro (10,2%), sugerindo influência de fatores sazonais e psicossociais. O diagnóstico mais prevalente foi ansiedade generalizada (CID-10: F411), responsável por 58% dos casos, seguido por transtorno misto ansioso-depressivo (17,1%) e transtorno de pânico (5,4%). Conclusão: Os TNRE, embora subregistrados, constituem um problema de saúde mental relevante no contexto hospitalar, afetando principalmente mulheres e adultos em idade produtiva. O estudo evidencia a necessidade de integração entre atenção hospitalar e saúde mental, com protocolos de rastreamento, capacitação multiprofissional e políticas públicas voltadas à promoção da saúde emocional. A ampliação de estudos multicêntricos e o uso de instrumentos padronizados podem aprimorar o diagnóstico e orientar intervenções preventivas e terapêuticas mais eficazes.Downloads
Publicado
2026-09-23
Edição
Seção
Resumos