PREVALÊNCIA DE DENGUE – DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS EM PACIENTES ATENDIDOS EM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO EM 2024
Palavras-chave:
Dengue. Epidemiologia Hospitalar. Estudos Transversais. Sazonalidade. Serviços de Saúde.Resumo
Introdução: A dengue permanece como uma das arboviroses de maior impacto em regiões tropicais e subtropicais, com transmissão influenciada por fatores climáticos (temperatura, precipitação) e socioambientais (urbanização, saneamento, armazenamento de água), que modulam a densidade do Aedes aegypti e a intensidade das ondas sazonais. Em anos epidêmicos, esse conjunto de determinantes se reflete diretamente na demanda por atendimentos de urgência, exames laboratoriais, hidratação venosa, observação clínica e internações, exigindo dos serviços capacidade de resposta rápida e planejamento prévio. No Brasil, 2024 caracterizou-se por expansão da circulação viral e expressiva sobrecarga assistencial, o que torna especialmente relevante descrever a magnitude e o perfil da dengue em cenários hospitalares universitários, capazes de captar a pressão real sobre o sistema. Objetivo: Estimar a prevalência hospitalar de dengue entre todos os atendimentos registrados no Hospital Beneficente UNIMAR (HBU) em 2024 e descrever sua distribuição por sexo, faixa etária e mês, de modo a subsidiar vigilância clínica e organização sazonal de recursos. Método: Realizou-se estudo observacional transversal analítico, alinhado às diretrizes STROBE, com dados secundários anonimizados do sistema de registros do HBU referentes a todos os atendimentos de 2024. O desfecho “Dengue – Doenças Infecciosas e Parasitárias” foi definido pelos códigos CID-10 A90 (dengue) e A91 (dengue grave/hemorrágica). Treze registros com inconsistência na variável sexo foram excluídos. As variáveis analisadas incluíram sexo, idade e mês do atendimento. A idade foi categorizada segundo a Organização Mundial da Saúde em: criança (0–9 anos), adolescente (10–19), adulto jovem (20–39), meia-idade (40–59) e idoso (≥60). As variáveis quantitativas foram descritas por média, desvio-padrão e amplitude; variáveis categóricas por frequências absolutas e relativas. Comparações de médias empregaram teste t de Student ou t de Welch quando houve violação da homogeneidade de variâncias (teste de Levene). Diferenças de proporções e associações entre exposições e desfecho foram avaliadas pelo qui-quadrado, adotando-se α=0,05. As análises foram realizadas no software Jamovi. Resultados: Foram avaliados 198.442 atendimentos elegíveis, com predominância de mulheres (64,2%) e maior concentração etária em meia-idade e idosos. Identificaram-se 2.162 atendimentos por dengue, resultando em prevalência hospitalar de 1,10%. A prevalência foi significativamente maior no sexo masculino (1,20%; 844/70.998) em comparação ao feminino (1,00%; 1.318/127.444), indicando diferença de distribuição por sexo. Observou-se perfil etário mais jovem entre os casos, com maior prevalência em adultos jovens de 20–39 anos (1,60%), seguida por adolescentes (1,30%), indivíduos de meia-idade (1,10%) e idosos (0,90%); crianças apresentaram prevalência muito baixa (0,10%), com diferenças significativas entre faixas. A distribuição mensal evidenciou sazonalidade marcada, concentrada do fim do verão ao outono: fevereiro (1,9%), março (2,3%), abril (2,0%) e maio (3,0%), com queda abrupta no inverno/primavera e discreta elevação em dezembro. Conclusão: No HBU, a dengue em 2024 configurou demanda assistencial sazonal e não aleatória, concentrando-se sobretudo em homens e adultos jovens, com pico entre fevereiro e maio. Esses achados reforçam a necessidade de preparar previamente leitos, insumos e equipes para o período crítico, além de ações preventivas e educativas direcionadas a populações em idade produtiva. Apesar de limitações inerentes ao uso de registros administrativos e codificação CID-10, o grande volume amostral e a estratificação por sexo, idade e mês oferecem evidências úteis para planejamento local e integração com vigilância epidemiológica.Downloads
Publicado
2026-09-23
Edição
Seção
Resumos