DOENÇAS DA PELE E TECIDO SUBCUTÂNEO EM PACIENTES ATENDIDOS PELO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO EM 2024: ESTUDO OBSERVACIONAL TRANSVERSAL

Autores

  • Júlia Gomes de Castro Autor
  • Ana Luisa Silva Dias Autor
  • Marcela Manfio de Assis Queiroz Autor
  • Gabriel Baraldi Labegalini Autor
  • Marisa de Oliveira dos Santos Autor
  • Eduardo Federighi Baisi Chagas Autor
  • Heloisa Helou Doca Autor

Palavras-chave:

Dermatologia. Epidemiologia. Prevalência. Doenças da Pele. Queimadura Solar.

Resumo

Introdução: As doenças da pele e do tecido subcutâneo (DPTS) constituem um grupo relevante de agravos não transmissíveis, capazes de gerar impacto funcional, psicossocial e econômico significativo. Apesar de sua expressiva carga assistencial, esses agravos ainda são subvalorizados nas políticas públicas de saúde e permanecem pouco explorados em estudos nacionais, sobretudo em ambientes universitários que concentram casos complexos e atendem populações heterogêneas. A ausência de dados epidemiológicos consistentes configura uma lacuna importante no planejamento de ações preventivas e no desenvolvimento de estratégias educacionais. Objetivo: Analisar a prevalência e a distribuição das DPTS, incluindo queimadura solar, em pacientes atendidos em um hospital universitário durante o ano de 2024, considerando variáveis sociodemográficas e temporais. Método: Trata-se de um estudo observacional transversal analítico baseado em 198.442 registros ambulatoriais do Hospital Beneficente UNIMAR. Foram comparados pacientes com e sem DPTS. As variáveis avaliadas incluíram sexo, faixa etária, mês de atendimento e diagnósticos conforme classificação CID-10. Para análise estatística foram aplicados os testes de Welch, Levene e Qui-quadrado, adotando-se nível de significância de 5%. Resultados: A prevalência de DPTS foi de 1,1% (n=2124), com predominância no sexo masculino (64,2%; p<0,001) e média etária superior entre homens (50,0±23,6 anos) em comparação às mulheres (47,1±20,0; p<0,001). Observou-se maior concentração de atendimentos entre indivíduos de meia idade (32,2%) e idosos (36,1%), indicando maior vulnerabilidade cutânea nesses grupos. A distribuição temporal revelou variação sazonal marcante, com picos nos meses de verão, sugerindo influência direta da radiação ultravioleta e da temperatura nos agravos dermatológicos. A queimadura solar correspondeu a 11,8% das DPTS, sendo mais frequente em idosos (26,0%) e mulheres (12,8%; p<0,003), reforçando a necessidade de estratégias dirigidas a esses grupos. A análise dos diagnósticos evidenciou heterogeneidade etiológica, com predominância de códigos classificados como “Outras doenças da pele e tecido subcutâneo” (36,34%), indicando limitações na precisão da codificação e ressaltando a importância da qualificação dos registros clínicos. A associação significativa entre DPTS, sexo, faixa etária e sazonalidade confirma que esses agravos seguem padrões epidemiológicos estruturados, e não aleatórios. Conclusão: Embora a prevalência de DPTS tenha sido relativamente baixa em relação ao número total de atendimentos, a diversidade diagnóstica observada e a forte influência de fatores ambientais e sociodemográficos destaam a necessidade de aprimorar estratégias de prevenção, especialmente por meio de ações educativas voltadas à fotoproteção e ao reconhecimento precoce de agravos cutâneos. Os achados reforçam o papel dos hospitais universitários como espaços essenciais de vigilância epidemiológica, demandando melhorias na precisão diagnóstica, na padronização da codificação CID-10 e na integração entre ensino, pesquisa e assistência. Tais medidas podem contribuir para reduzir a sobrecarga ambulatorial e promover melhores práticas em saúde dermatológica no contexto regional.

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Publicado

2026-09-23