PREVALÊNCIA DE DOENÇAS DO SISTEMA GENITURINÁRIO, EM PACIENTES ATENDIDOS EM HOSPIATL UNIVERSITÁRIO EM 2024: ESTUDO OBSERVACIONAL TRANSVERSAL
Palavras-chave:
Infecção urinária. Prevalência. Fatores de risco.Resumo
Introdução: As doenças do sistema geniturinário têm grande relevância clínica e epidemiológica, sendo responsáveis por alta morbidade e custos hospitalares. Entre elas, destacam-se as infecções do trato urinário (ITU) e a calculose renal, ambas associadas a fatores anatômicos, metabólicos e ambientais. As ITUs representam até 36% das infecções hospitalares e estão frequentemente relacionadas ao uso de cateter vesical. A calculose renal, por sua vez, vem crescendo mundialmente devido a mudanças dietéticas e climáticas, sendo causa importante de infecção urinária complicada. Diante desse cenário, o estudo buscou determinar a prevalência e o perfil epidemiológico das doenças do sistema geniturinário em um hospital universitário brasileiro, identificando padrões de distribuição por sexo, idade e sazonalidade. Objetivo: Investigar a prevalência e os fatores associados às doenças do sistema geniturinário, especialmente as infecções do trato urinário, em pacientes atendidos no Hospital Beneficente Unimar (HBU) durante o ano de 2024. Método: Trata-se de um estudo observacional transversal analítico conduzido conforme as diretrizes STROBE. Utilizaram-se dados secundários anonimizados dos atendimentos registrados no HBU em 2024. Foram incluídos todos os registros com código CID-10 correspondente às doenças geniturinárias (N20–N39), sendo excluídos 13 registros com inconsistências no sexo. As variáveis analisadas incluíram sexo, idade, mês de atendimento e diagnóstico (CID-10). A análise estatística foi realizada no software Jamovi, com testes Qui-quadrado, t de Student e Welch, adotando-se nível de significância de 5%. A faixa etária foi categorizada conforme a OMS: criança (0–9 anos), adolescente (10–19), adulto jovem (20–39), meia-idade (40–59) e idoso (>59). Resultados: A amostra total compreendeu mais de 198 mil atendimentos, sendo 1,5% classificados como doenças do sistema geniturinário. Houve predomínio do sexo feminino (64,2%), diferença significativa em relação aos homens (p<0,001). A média de idade foi de 50 anos para mulheres e 47 anos para homens. A faixa etária mais acometida foi a de idosos (36,1%), seguida de indivíduos de meia-idade (32,2%). A análise sazonal mostrou variações discretas, com picos de ocorrência entre abril e outubro, indicando influência climática. O diagnóstico mais frequente foi N39.0 – infecção do trato urinário não especificada (42,9%), seguido de N20.0 – cálculo renal (25,2%) e N23 – cólica nefrética não especificada (9,9%). Esses três códigos representaram cerca de 78% dos casos. As ITUs foram significativamente mais prevalentes em mulheres (51,6%) do que em homens (23,7%), além de ocorrerem com maior frequência em idosos e adolescentes (p<0,001). Conclusão: O estudo conclui que as infecções do trato urinário representaram 42,9% das doenças geniturinárias no HBU em 2024, com predomínio em mulheres (64,2%), idosos (36,1%) e maior incidência entre abril e outubro. Esses achados reforçam a importância de políticas de prevenção, diagnóstico precoce e uso racional de antimicrobianos. A vigilância contínua de grupos de risco, o controle do uso de cateteres e programas de hidratação preventiva podem reduzir internações e custos hospitalares. O estudo evidencia a necessidade de estratégias multiprofissionais e protocolos clínicos padronizados para o manejo das ITUs e outras doenças geniturinárias, contribuindo para melhor qualidade assistencial e segurança do paciente.Downloads
Publicado
2026-09-23
Edição
Seção
Resumos