PREVALÊNCIA DE HÉRNIAS ABDOMINAIS EM PACIENTES ATENDIDOS EM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO EM 2024: ESTUDO OBSERVACIONAL TRANSVERSAL

Autores

  • Lucca Gonsales Rodrigues Autor
  • Pedro Gusson Silvestre Veiga Autor
  • Vinicius Willian Calderon Da Silva Autor
  • Vitor Piacenti Padovan Autor
  • Eduardo Federighi Baisi Chagas Autor
  • Heloisa Helou Doca Autor

Palavras-chave:

Hérnia inguinal. Hérnias abdominais. Prevalência. Epidemiologia. Saúde pública.

Resumo

Introdução: As hérnias abdominais representam um problema recorrente na prática médica e configuram importante causa de morbidade cirúrgica mundial. São definidas como a protrusão de estruturas ou vísceras através de uma fragilidade da parede abdominal, e podem apresentar complicações como encarceramento e estrangulamento, exigindo intervenções de urgência. A forma mais comum é a hérnia inguinal, cuja prevalência é maior no sexo masculino e aumenta progressivamente com a idade. No Brasil, estima-se que mais de 300 mil procedimentos de correção de hérnia abdominal sejam realizados anualmente pelo SUS, refletindo não apenas a alta frequência, mas também o impacto econômico e social da doença. Apesar de ser amplamente reconhecida, a caracterização epidemiológica local ainda é limitada, o que dificulta o planejamento de estratégias preventivas e o dimensionamento adequado dos recursos hospitalares. Objetivo: Estimar a prevalência e o perfil epidemiológico das hérnias abdominais em pacientes atendidos em hospital universitário em 2024, analisando sua distribuição segundo sexo, faixa etária e mês de atendimento. Método: Realizou-se um estudo observacional transversal analítico de prevalência, utilizando dados secundários provenientes do Hospital Beneficente UNIMAR (HBU). Foram incluídos todos os registros de atendimento do ano de 2024, excetuando-se os casos com inconsistência na variável sexo. As variáveis analisadas incluíram idade, sexo, mês de atendimento e os códigos do CID-10 correspondentes às hérnias abdominais. As análises estatísticas foram conduzidas com o software Jamovi. O estudo foi elaborado conforme as diretrizes STROBE e em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Resultados: A prevalência geral de hérnias abdominais foi de 1,1% (n=2.234) entre os 198.455 atendimentos avaliados. A hérnia inguinal representou 48,8% (n=1.093) dos casos e predominou no sexo masculino (63,9%), com maior ocorrência em idosos (60,3%). Observou-se associação estatisticamente significativa entre a ocorrência de hérnia e as variáveis sexo e faixa etária (p<0,001). A média de idade dos portadores de hérnia foi de 49 anos, sendo levemente superior entre mulheres (50 anos) em relação aos homens (47 anos). Entre os meses do ano, as frequências se mantiveram estáveis, sem padrão sazonal evidente. Os achados reforçam que o envelhecimento e o sexo masculino são os principais determinantes clínicos, associados à degeneração tecidual, aumento da pressão intra-abdominal e alterações na matriz de colágeno. Esse perfil é consistente com estudos internacionais, que descrevem a hérnia inguinal como a forma predominante em todas as faixas etárias acima dos 40 anos. Conclusão: O estudo demonstra que a hérnia inguinal permanece como a forma mais prevalente de hérnia abdominal, acometendo principalmente homens e idosos. Esses resultados reforçam a necessidade de estratégias de rastreamento em grupos de risco, educação em saúde sobre fatores predisponentes — como tabagismo, constipação e esforço físico — e otimização de recursos hospitalares para manejo eletivo. A caracterização epidemiológica local fornece subsídios para políticas de prevenção e para o aprimoramento da formação médica em cirurgia geral, além de estimular futuras pesquisas longitudinais capazes de investigar fatores de risco modificáveis e avaliar desfechos clínicos e cirúrgicos de longo prazo.

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Publicado

2026-09-23