PREVALÊNCIAS DE DOENÇAS HIPERTENSIVAS (DH) EM PACIENTES ATENDIDOS EM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO EM 2024: ESTUDO OBSERVACIONAL TRANSVERSAL
Palavras-chave:
Hipertensão Essencial. Doenças Cardiovasculares. Estudos Transversais. Prevalência. Hospitais Universitários.Resumo
Introdução: A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição clínica crônica caracterizada pela elevação persistente da pressão arterial, sendo um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e renais. Estima-se que cerca de um terço da população adulta mundial seja hipertensa, com tendência de aumento associada ao envelhecimento populacional e a hábitos de vida inadequados, como dieta rica em sódio, sedentarismo e consumo excessivo de álcool. No Brasil, a prevalência da HAS é de aproximadamente 24% entre adultos, com maior ocorrência em mulheres e idosos. Apesar da disponibilidade de terapias eficazes, a doença ainda é subdiagnosticada e frequentemente mal controlada, contribuindo para elevada morbimortalidade e custos hospitalares. Hospitais universitários possuem papel estratégico na vigilância epidemiológica e na formação médica, pois integram ensino, pesquisa e assistência. Esses ambientes possibilitam a coleta de dados clínicos relevantes para o estudo de doenças crônicas e a avaliação da efetividade das políticas públicas. No entanto, poucos estudos nacionais descrevem o perfil das Doenças Hipertensivas (DH) em hospitais de ensino. Compreender esse padrão é fundamental para aprimorar o cuidado hospitalar e subsidiar estratégias de rastreamento e controle da hipertensão. Objetivo: Analisar a prevalência das Doenças Hipertensivas (DH) em pacientes atendidos em um hospital universitário em 2024, segundo sexo, faixa etária e mês do atendimento, com subanálise da Hipertensão Essencial Primária (CID-10 I10). Método: Estudo observacional transversal analítico, realizado a partir de dados secundários anonimizados de 198.455 atendimentos registrados em 2024 no Hospital Beneficente UNIMAR (HBU). Foram incluídos todos os registros disponíveis, exceto 13 excluídos por inconsistência no sexo. As variáveis analisadas foram idade, sexo, mês do atendimento e diagnóstico conforme a Classificação Internacional de Doenças – 10ª revisão (CID-10). As doenças hipertensivas foram agrupadas na categoria “Doenças do aparelho circulatório”. A análise estatística foi conduzida no software Jamovi, aplicando-se testes do Qui-quadrado e t de Student (ou Welch) com nível de significância de 5%. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade de Marília. Resultados: Entre os 198.455 registros analisados, 1.390 (0,7%) apresentaram diagnóstico de doença hipertensiva. Observou-se predominância do sexo feminino (64,2%) e média de idade superior entre hipertensos (62,3 ± 14 anos) comparada aos não hipertensos (48,9 ± 21,4 anos; p < 0,001). A prevalência aumentou progressivamente com a idade, atingindo 1,2% entre idosos. Houve variação estatisticamente significativa ao longo dos meses do ano (p < 0,001), com maior concentração de diagnósticos em maio, junho e outubro. A Hipertensão Essencial Primária (CID-10 I10) representou 94,7% dos casos, seguida pela Doença Cardíaca Hipertensiva sem Insuficiência Cardíaca (I119), com 2,4%. Na subanálise, observou-se leve predomínio feminino (95,5%) e maior prevalência em adultos e idosos (p = 0,014), indicando associação direta entre envelhecimento e risco hipertensivo. Conclusão: A hipertensão essencial foi a principal forma de doença hipertensiva observada em ambiente hospitalar universitário, predominando entre mulheres e idosos. Os achados reforçam o impacto do envelhecimento sobre o risco cardiovascular e destacam a importância dos hospitais de ensino na vigilância epidemiológica das doenças crônicas. A variação temporal observada sugere influência de fatores sazonais e comportamentais na procura por atendimento. O estudo evidencia a necessidade de fortalecer o rastreamento e o controle da hipertensão nos serviços hospitalares e de integrar ações entre os níveis de atenção, promovendo diagnóstico precoce e prevenção de complicações cardiovasculares.Downloads
Publicado
2026-09-23
Edição
Seção
Resumos