GASTRITE NÃO ESPECIFICADA (CID-10 K29.7): IMPLICAÇÕES EPIDEMIOLÓGICAS E INFORMACIONAIS EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO
Palavras-chave:
Gastrite. Epidemiologia. Prevalência. CID-10. Classificação Internacional de Doenças / Sistemas de Registros Hospitalares.Resumo
Introdução: A gastrite é um diagnóstico frequente na prática clínica e hospitalar, envolvendo inflamação da mucosa gástrica por múltiplos fatores, como medicamentos, hábitos de vida e infecções. Apesar de comum, há lacunas sobre seu perfil epidemiológico local, sobretudo quanto à distribuição por sexo, idade e variação sazonal. Além disso, o uso recorrente de códigos inespecíficos da CID-10, como o K29.7, pode limitar a precisão dos registros. Assim, analisar a ocorrência e o padrão de codificação da gastrite torna-se fundamental para qualificar as informações em saúde e orientar o planejamento assistencial. Objetivo: Analisar a prevalência de gastrite (CID-10 K29) em pacientes atendidos em um hospital universitário ao longo de 2024, segundo sexo, faixa etária e mês de atendimento, e descrever a distribuição dos códigos específicos, com ênfase em K29.7. Método: Estudo observacional transversal analítico, seguindo diretrizes STROBE, realizado no Hospital Beneficente UNIMAR (HBU) com dados secundários de atendimentos em 2024. Foram incluídos todos os registros do ano, exceto 13 com inconsistência no sexo. Variáveis: sexo, idade, mês do atendimento e códigos CID-10. Sintomas e sinais clínicos foram definidos pelos códigos do Capítulo XVIII do CID-10, incluindo cefaleia (R51) como desfecho principal. Idade foi categorizada conforme OMS: criança (0–9), adolescente (10–19), adulto jovem (20–39), meia-idade (40–59) e idoso (>59). Para todas as análises foi considerado um nível de significância de 5%. Resultados: Foram avaliados 192.382 atendimentos realizados em 2024, dos quais 6.060 (3,1%) receberam diagnóstico de gastrite. Houve predominância significativa de mulheres (64,2%; p < 0,001), enquanto os homens representaram 35,8%. A maior proporção dos casos ocorreu em adultos de meia-idade (32,2%) e idosos (36,1%), indicando concentração em faixas etárias mais avançadas. A distribuição ao longo do ano mostrou variação mensal, com aumento progressivo no segundo semestre e pico em outubro. Em relação aos códigos CID-10, observou-se uso marcante do K29.7, gastrite não especificada, responsável por 95,2% dos registros, enquanto os demais códigos específicos (K29.0–K29.6; K29.8–K29.9) somaram apenas 4,8%, evidenciando baixa discriminação etiológica nos atendimentos. Conclusão: A gastrite apresentou maior prevalência em mulheres e em indivíduos de faixas etárias mais avançadas, reforçando seu relevante impacto na demanda hospitalar. O predomínio do código K29.7 indica fragilidade na especificação diagnóstica e sugere subinvestigação etiológica, configurando potencial uso de “garbage codes” e comprometendo a qualidade das informações epidemiológicas, o que destaca a necessidade de qualificação da codificação clínica e do aprimoramento dos sistemas de registro hospitalar.Downloads
Publicado
2026-09-23
Edição
Seção
Resumos