DOR LOMBAR BAIXA: PREVALÊNCIA EM PACIENTES ATENDIDOS NO HOSPITAL BENEFICENTE UNIMAR EM 2024
Palavras-chave:
Dor Lombar, Doenças da Coluna Vertebral, Dor nas Costas, Epidemiologia, Estudo Observacional.Resumo
Introdução: A coluna vertebral desempenha funções essenciais de estabilidade e proteção, sendo que alterações nessas estruturas representam uma das principais causas de anos vividos com incapacidade globalmente. Em ambientes hospitalares, especialmente os universitários que integram assistência e ensino, a análise sistemática desses agravos é estratégica para o planejamento em saúde. As doenças da coluna, particularmente a dor lombar baixa, geram significativo impacto socioeconômico e na qualidade de vida. A classificação padronizada pelo CID-10 permite identificar perfis epidemiológicos precisos, diferenciando condições agudas de crônicas. Enquanto estudos populacionais indicam alta prevalência em idosos devido a processos degenerativos, é fundamental investigar como essa demanda se apresenta na assistência hospitalar terciária, onde fatores ocupacionais e agudos podem influenciar a busca por atendimento em faixas etárias mais jovens. Objetivo: Analisar a prevalência de doenças da coluna vertebral, com foco específico na dor lombar baixa (CID M54.5), em pacientes atendidos em hospital universitário em 2024, considerando as variáveis sexo, faixa etária e mês do atendimento. Método: Estudo observacional transversal analítico, seguindo diretrizes STROBE, realizado no Hospital Beneficente UNIMAR (HBU) com dados secundários de atendimentos de janeiro a dezembro de 2024. Foram incluídos 198.442 registros, excluindo-se apenas aqueles com inconsistência de dados. Variáveis analisadas: sexo, idade, mês e códigos CID-10. O desfecho principal foi a categoria de doenças da coluna, com subanálise para dor lombar baixa (M54.5). A faixa etária foi categorizada conforme a OMS: criança (0–9), adolescente (10–19), adulto jovem (20–39), meia-idade (40–59) e idoso (>59). Para as análises de associação (Qui-quadrado) e comparação de médias, foi considerado um nível de significância de 5%. Resultados: Foram analisados registros com predominância do sexo feminino (64,2%) e média de idade de 48,9 anos (DP=21,4). A prevalência geral de doenças da coluna foi de 1,2% (n=2.344). Dentro deste grupo, a dor lombar baixa foi o diagnóstico isolado mais frequente, representando 40,0% (n=937) dos casos. A análise comparativa revelou um comportamento distinto para a dor lombar baixa em relação às demais patologias da coluna: não houve diferença estatisticamente significativa entre os sexos (p=0,139), contrariando a tendência geral de predominância feminina nas doenças osteomusculares. Por faixa etária, observou-se associação significativa (p=0,014), onde os adultos jovens (20–39 anos) apresentaram a maior proporção relativa de dor lombar baixa (43,4%), seguidos pelos idosos (41,9%) e indivíduos de meia-idade (37,6%). Diferentemente de outros diagnósticos que variaram sazonalmente, a dor lombar baixa não apresentou variação significativa pelos meses do ano (p=0,309). Conclusão: Os achados indicam que, embora as doenças da coluna correspondam a uma fração específica dos atendimentos, a dor lombar baixa destaca-se como a condição predominante. A alta prevalência proporcional em adultos jovens e a ausência de diferença significativa entre sexos sugerem que, nesta população hospitalar, a condição afeta intensamente a classe economicamente ativa, possivelmente ligada a fatores laborais e agudos, diferindo do perfil puramente degenerativo. Esses dados reforçam a necessidade de protocolos de manejo da dor e estratégias de ergonomia e prevenção voltadas não apenas para idosos, mas também para a população jovem atendida na instituição.Downloads
Publicado
2026-09-23
Edição
Seção
Resumos