PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DAS DOENÇAS ENDÓCRINAS, NUTRICIONAIS E METABÓLICAS, COM FOCO NO HIPOTIREOIDISMO NÃO ESPECIFICADO, EM PACIENTES ATENDIDOS EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO EM 2024
Palavras-chave:
Doenças Endócrinas. Hipotireoidismo. Epidemiologia Hospitalar. Doenças Metabólicas. Prevalência.Resumo
Introdução: As doenças metabólicas e endócrinas, como diabetes mellitus tipo 2, obesidade, síndrome metabólica e hipotireoidismo, configuram um dos maiores desafios contemporâneos de saúde pública, dada sua alta prevalência, complexidade clínica e impacto socioeconômico crescente. No Brasil, observa-se aumento contínuo dessas condições, com destaque para o diabetes e a síndrome metabólica, cuja incidência atinge tanto populações urbanas quanto rurais, refletindo mudanças no estilo de vida, envelhecimento populacional e maior consumo de alimentos ultraprocessados. A relevância do tema reside na expressiva carga de morbimortalidade e nos custos associados ao diagnóstico tardio e ao controle inadequado, que potencializam complicações cardiovasculares, renais e metabólicas. Ademais, o hipotireoidismo, frequentemente subdiagnosticado e subtratado, compartilha mecanismos fisiopatológicos com essas doenças, como resistência insulínica, inflamação crônica e disfunção mitocondrial, evidenciando a interconexão entre os distúrbios endócrino-metabólicos. A principal lacuna do conhecimento está na insuficiência de estratégias integradas de detecção precoce, tratamento e prevenção, bem como na necessidade de políticas públicas que articulem educação em saúde, promoção de hábitos saudáveis e manejo clínico multidisciplinar voltado à redução da carga dessas doenças no país. Objetivo: O estudo busca analisar a prevalência e o perfil clínico-epidemiológico das doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas, com foco no hipotireoidismo não especificado, em pacientes atendidos em um hospital universitário em 2024. Método: Trata-se de um estudo observacional transversal analítico de prevalência, baseado em dados secundários de atendimentos realizados em 2024 no Hospital Beneficente UNIMAR. A amostra incluiu 1.353 registros com diagnósticos de doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas (CID-10: E00–E90), com foco no hipotireoidismo não especificado (E039). As variáveis analisadas foram sexo, faixa etária, mês de atendimento e códigos CID-10. A análise estatística utilizou testes t de Student/Welch e Qui-quadrado, adotando nível de significância de 5%. Resultados: Os resultados demonstraram que as doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas corresponderam a 0,7% dos atendimentos hospitalares, com predomínio do sexo feminino (64,2%) e média de idade de 50 anos entre mulheres e 47,1 entre homens, diferença significativa (p < 0,001). A média geral de idade dos pacientes com essas doenças foi de 45,6 anos, indicando início mais precoce em comparação a outros atendimentos (49 anos). Observou-se maior concentração de casos em adultos de meia-idade (32,2%) e idosos (36,1%), além de presença relevante em adolescentes (1,4%) e crianças (1,1%), sugerindo manifestações precoces de origem possivelmente autoimune ou genética. O diagnóstico mais prevalente foi o hipotireoidismo não especificado (17,23%), mais frequente em mulheres (20,2%) do que em homens (11,3%), diferença significativa (p < 0,001), seguido pela deficiência de vitamina D e hiperlipoproteinemia mista. A distribuição mensal foi estável, com picos discretos em outubro e agosto, sem evidência de sazonalidade. Esses achados indicam que as disfunções endócrinas, especialmente as tireoidianas, afetam principalmente mulheres adultas e idosas, reforçando a importância do rastreamento precoce, do manejo contínuo e da integração entre atenção primária e hospitalar para otimizar o cuidado e prevenir complicações. Conclusão: Os resultados indicam que as doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas, embora pouco frequentes nos atendimentos hospitalares, concentram-se em grupos mais vulneráveis, especialmente mulheres e indivíduos em fases de maior instabilidade hormonal. A predominância de distúrbios tireoidianos destaca a necessidade de rastreamento precoce e fortalecimento da atenção primária para prevenção e seguimento adequado. Os achados têm aplicação direta no planejamento em saúde, ao subsidiar políticas públicas voltadas à melhoria do registro clínico, integração entre níveis de atenção e educação em saúde, contribuindo para o manejo mais eficiente das condições endócrino-metabólicas.Downloads
Publicado
2026-09-23
Edição
Seção
Resumos