PREVALÊNCIA DE SINTOMAS DE DOENÇAS DO ÂNUS E DO RETO EM PACIENTES ATENDIDOS EM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO EM 2024
Palavras-chave:
Estenose anorretal. Doenças do ânus e do reto. Epidemiologia hospitalar. Prevalência. Saúde pública. Hospital universitário.Resumo
Introdução: A estenose anorretal (EAR) corresponde ao estreitamento do canal anal ou do reto distal, geralmente decorrente de processos inflamatórios, cicatriciais ou iatrogênicos, e representa uma condição de impacto funcional relevante devido à dificuldade evacuatória, dor, sangramento e maior risco de complicações associadas. No contexto hospitalar, a EAR e outras doenças do ânus e do reto (DAR) podem ser subdiagnosticadas, tanto por apresentarem sintomas inespecíficos quanto por dependerem de avaliação proctológica especializada, o que contribui para atrasos no diagnóstico, manejo inadequado e maior morbidade. A identificação do perfil epidemiológico dessas condições é fundamental para orientar o planejamento assistencial, o desenvolvimento de protocolos clínicos e a organização de ações preventivas e terapêuticas eficazes. Objetivo: Analisar a prevalência e o perfil epidemiológico dos sintomas e diagnósticos de DAR, com atenção especial à EAR, em pacientes atendidos em um hospital universitário no ano de 2024, considerando variáveis como sexo, faixa etária e período de atendimento, bem como estimar a magnitude dessa condição e discutir seus possíveis determinantes clínicos e repercussões para a prática assistencial e para a saúde pública. Métodos: Estudo observacional transversal analítico, elaborado conforme as diretrizes STROBE, utilizando dados secundários anonimizados provenientes do sistema hospitalar do Hospital Beneficente UNIMAR (HBU). Foram analisados todos os atendimentos realizados no ano de 2024, sendo excluídos registros com inconsistência na variável sexo (n=13). As variáveis incluíram sexo, idade, mês de atendimento e códigos do CID-10 relacionados a DAR, com destaque para o código K628, referente à estenose anorretal. A análise estatística foi realizada no software Jamovi, com aplicação de testes de Levene, t de Student ou Welch para comparações de médias e teste qui-quadrado para proporções, adotando nível de significância de 5%. Resultados: Dos 198.453 atendimentos válidos, 1,3% apresentaram diagnósticos compatíveis com DAR e 0,2% corresponderam especificamente a EAR. A maior parte dos casos ocorreu em mulheres (64,2%), sugerindo influência de fatores anatômicos, funcionais e possivelmente hormonais na predisposição à estenose. Observou-se maior frequência de EAR nas faixas etárias de meia-idade e idosos, reforçando a relação com constipação crônica, alterações do assoalho pélvico e histórico de procedimentos colorretais. O código K628 representou 88,7% das identificações de EAR, evidenciando predomínio de estenoses adquiridas ou não especificadas. A distribuição mensal dos casos apresentou diferença estatisticamente significativa, o que pode refletir variações sazonais de demanda, mudanças no acesso aos serviços ou flutuações na procura por atendimento proctológico. Os achados reforçam a importância clínica da EAR e demonstram que, embora relativamente rara em termos percentuais, sua prevalência absoluta é relevante dada a magnitude do número total de atendimentos. Conclusão: A EAR mostrou-se uma condição de relevância clínica e epidemiológica dentro do conjunto das doenças anorretais avaliadas, apresentando predomínio em mulheres e em indivíduos de faixas etárias mais avançadas. Esses resultados sugerem participação de fatores hormonais, anatômicos e iatrogênicos no desenvolvimento da estenose, além de indicarem que a doença pode estar subdiagnosticada na prática assistencial. O estudo evidencia a necessidade de fortalecer protocolos de rastreamento, prevenção e manejo especializado, assim como de promover capacitação profissional e ampliar o acesso à avaliação proctológica. A compreensão detalhada do perfil epidemiológico contribui para subsidiar políticas públicas, otimizar fluxos hospitalares e aperfeiçoar estratégias de cuidado contínuo. O estudo foi desenvolvido a partir de dados secundários do HBU referentes aos atendimentos realizados em 2024.Downloads
Publicado
2026-09-23
Edição
Seção
Resumos