PREVALÊNCIA DE DIARREIA E GASTROENTERITE PRESUMIVELMENTE INFECCIOSOS ENTRE PACIENTES ATENDIDOS EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO EM 2024
Palavras-chave:
Gastroenterite. Epidemiologia. Doenças Infecciosas. Prevalência. Vigilância Epidemiológica.Resumo
Introdução: As doenças infecciosas intestinais, especialmente a diarreia e a gastroenterite de origem presumivelmente infecciosa, continuam sendo um importante problema de saúde pública, principalmente em países de média e baixa renda, onde fatores ambientais, comportamentais e sazonais influenciam fortemente sua ocorrência. Essas condições representam elevada morbidade, podem causar desidratação e hospitalizações e são responsáveis por impacto socioeconômico significativo. A transmissão ocorre predominantemente pela via fecal–oral, favorecida por falhas no saneamento, manejo inadequado de alimentos e circulação viral contínua, mesmo após a introdução de vacinas eficazes, como a do rotavírus, cuja cobertura desigual mantém a persistência de casos e mudanças no padrão epidemiológico observadas em diferentes regiões. Hospitais universitários são ambientes estratégicos para estudos epidemiológicos, pois concentram grande demanda assistencial e permitem a análise padronizada de registros clínicos por meio do CID-10, possibilitando investigações sobre prevalência, sazonalidade e distribuição demográfica desses agravos. Objetivo: Analisar a prevalência de diarreia e gastroenterite presumivelmente infecciosas entre pacientes atendidos em um hospital universitário em 2024, considerando sexo, faixa etária e variação mensal. Método: Estudo observacional transversal analítico, baseado nas diretrizes STROBE, com dados secundários dos atendimentos do Hospital Beneficente UNIMAR (HBU) ao longo de 2024. Todos os registros foram incluídos, exceto 13 por inconsistência no sexo. As variáveis analisadas foram sexo, idade, mês do atendimento e códigos CID-10, sendo o código A09 (diarreia e gastroenterite de origem infecciosa presumida) o desfecho principal. A idade foi categorizada conforme a OMS, e aplicaram-se estatística descritiva, testes de associação (Qui-quadrado) e comparação de médias (t de Student), adotando-se significância de 5%. Resultados: Foram analisados 198.442 atendimentos, predominando pacientes do sexo feminino (64,2%) e adultos (53,1%). O CID A09 representou 0,9% dos atendimentos, com associações estatisticamente significativas em relação ao sexo, idade e mês (p < 0,001). Mulheres apresentaram maior frequência (0,8%), assim como adultos jovens, reforçando mudanças epidemiológicas após a vacinação contra rotavírus e maior exposição ocupacional e alimentar desse grupo. A distribuição mensal mostrou maior prevalência em meses quentes, especialmente agosto (9,1%) e outubro (9,4%), sugerindo influência de fatores climáticos na sobrevivência de patógenos entéricos e nas condições de armazenamento e preparo de alimentos. Conclusão: As doenças infecciosas intestinais mantêm relevância clínica e epidemiológica no ambiente hospitalar, com predomínio entre mulheres e adultos, além de nítido padrão sazonal em períodos de maior temperatura e umidade. A elevada proporção de diagnósticos classificados como CID A09 evidencia limitações laboratoriais frequentes na rotina hospitalar, reforçando a necessidade de ampliar métodos diagnósticos específicos e fortalecer ações de vigilância contínua, educação em saúde e intervenções preventivas, especialmente nos meses de maior risco. Esses achados contribuem para o planejamento assistencial e para a formulação de políticas públicas voltadas à redução da transmissão, internações e custos hospitalares associados.Downloads
Publicado
2026-09-23
Edição
Seção
Resumos