PREVALÊNCIA DE DOENÇAS GENITAIS FEMININAS COM ÊNFASE NO SANGRAMENTO V AGINAL: ESTUDO TRANSVERSAL EM 2024

Autores

  • Ana Carmelita Gomes Farias Autor
  • Gabrielly Camille Milan Vasconcelos Autor
  • Letycia Marques Machado Autor
  • Luana Schicarelli Autor
  • Heloisa Helou Doca Autor

Palavras-chave:

Doenças Genitais Femininas. Sangramento Vaginal. Epidemiologia. Prevalência. Saúde da Mulher.

Resumo

Introdução: As Doenças dos Órgãos Genitais Femininos (DOGF) representam uma causa altamente relevante de procura por atendimento ginecológico em diferentes níveis de assistência, configurando um importante problema de saúde pública. Essas condições impactam diretamente a saúde reprodutiva, o bem-estar físico e a qualidade de vida das mulheres, especialmente quando associadas a sintomas que geram grande preocupação clínica, como o sangramento vaginal anormal. Esse sintoma, além de ser frequente, pode indicar desde alterações benignas até patologias mais complexas, o que reforça a necessidade de investigação adequada. Nesse contexto, hospitais universitários têm papel central, pois, por integrarem assistência, ensino e produção científica, possibilitam análises epidemiológicas amplas, baseadas em grandes volumes de dados sistematicamente registrados. Esse cenário favorece a identificação de padrões de prevalência das DOGF, bem como de sintomas associados, como o sangramento vaginal, auxiliando decisivamente no planejamento assistencial, na vigilância epidemiológica e na organização dos serviços de saúde da mulher. Objetivo: O presente estudo teve como objetivo analisar a prevalência de DOGF, com ênfase específica no sangramento vaginal, entre pacientes atendidas em um hospital universitário no ano de 2024, considerando a distribuição por faixa etária e a variação mensal dos atendimentos. Método: Trata-se de um estudo observacional transversal analítico, desenvolvido no Hospital Beneficente UNIMAR (HBU). Foram utilizados 198.456 registros hospitalares femininos referentes ao ano de 2024. Foram incluídos todos os atendimentos codificados com CIDs pertencentes ao grupo das DOGF. Como variável principal, definiu-se a presença dos códigos N938 e N939, ambos relacionados ao sangramento vaginal. Variáveis como idade, classificação por faixa etária e mês do atendimento foram analisadas. A análise estatística empregou testes de Qui-quadrado e Welch, adotando nível de significância de 5%. Resultados: A prevalência geral de DOGF foi de 2,0% (n =2.495). Observou-se maior ocorrência em mulheres de meia-idade (2,9%) e em adultas jovens (2,7%), indicando maior concentração dessas condições em fases reprodutivas ativas ou tardias. As doenças mais frequentes no grupo incluíram infertilidade feminina (22,9%), infertilidade por anovulação (12,7%), pólipos uterinos (9,4%) e sangramento vaginal (N938 e N939), que, somados, corresponderam a mais de um terço de todos os casos registrados. A análise da distribuição mensal revelou variação significativa, com pico de prevalência no mês de julho (3,2%). O sangramento vaginal foi especialmente frequente entre mulheres de meia-idade (1,2%) e adultas jovens (1,0%), sendo extremamente raro em crianças. Conclusão: As DOGF demonstraram prevalência expressiva no contexto hospitalar analisado, especialmente entre mulheres em idade reprodutiva tardia. O sangramento vaginal destacou-se como manifestação clínica predominante. A associação com faixa etária e a variação sazonal evidenciam a importância de estratégias assistenciais direcionadas, protocolos específicos de avaliação ginecológica e planejamento adequado de recursos voltados à saúde da mulher.

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Publicado

2026-09-23