O USO DE CANABIS MEDICINAL COMO TRATAMENTO ALTERNATIVO PARA TRANSTORNOS DEPRESSIVOS: REVISÃO INTEGRATIVA
Palavras-chave:
Depressão. Maconha medicinal. Canabidiol. CanabinoidesResumo
Introdução: A depressão é inserida na clínica psiquiátrica como um dos transtornos de humor. O perfil epidemiológico é amplo e acomete desde crianças até idosos. Em 2020, durante a pandemia do Covid-19, houve acentuado aumento da incidência de casos no Brasil, trazendo à tona novos debates quanto ao tratamento deste quadro clínico, visto que existem pacientes não responsivos aos métodos tradicionais. Houve maior abertura para discussão de métodos de tratamentos alternativos, como a utilização de compostos derivados da Cannabis sativa, canabinoides, frente aos manejos tradicionais (farmacoterapia e psicoterapia). Em razão da proibição do cultivo e manejo da planta, os estudos clínicos são de difícil realização no país. A utilização dos compostos, no entanto, de forma off-label, tem aumentado nos últimos anos. Portanto, é necessário que estudos sejam feitos a fim de reunir os atuais conhecimentos sobre esta vertente científica, visando entender as indicações ou contraindicações para a utilização das substâncias em quadros depressivos. Objetivo: Analisar, através de revisão integrativa, a utilização e aplicabilidade de canabis medicinal como tratamento complementar em pacientes com depressão como transtorno unipolar. Método: Trata-se de uma revisão integrativa, realizada nas bases de dados PubMed e Portal Capes. Foram utilizados os seguintes descritores (DeCS/MeSH): “depression”; “psychic symptoms”; “cannabidiol”; “cannabis”; “young adult”; “adolescent”; “young”, conectados por Operadores Booleanos AND e OR. Na base de dados do PubMed foram aplicados os seguintes filtros: “Adolescent: 13-18 years”; “Young Adult: 19-24 years”; “5 years”; “English”; “Free Full Text”. Já no Portal Capes utilizou-se: “Adolescent”; “Mental Disorders”; “Mental Depression”; “Cannabis”; “Teenagers”; “Young Adult”; “Marijuana”; “2018 a 2023”; “Inglês”; “Acesso Aberto”. Foram excluídos artigos de revisão e relatos de caso. Considerou-se artigos de ensaio clínico, que explicassem dosagem medicamentosa, composição farmacológica, tempo de estudo e análise da evolução clínica respaldada por métodos validados pela literatura científica. Após etapas de seleção, 4 artigos do PubMed e 2 do Portal Capes foram selecionados. Foram extraídos resultados sobre a melhora ou piora dos sintomas previamente apresentados a partir da análise do valor determinado de alfa (nível de significância) e o resultado do p-valor. Os resultados foram apresentados pelo intervalo de confiança, desvio padrão, frequência relativa, média, p-valor e resultados de estatística inferencial a partir do teste de Fischer, qui-quadrado e correlação. Resultados: Os artigos analisados demonstram que a utilização de canabis não-medicinal é prevalente em homens jovens, com idade de início do uso na juventude. Além disso, esse grupo é o que mais apresenta problemas relacionados ao uso, como abuso da substância, overdose, quadros depressivos e ansiosos. Contudo, a população feminina jovem é a que mais busca ajuda médica para tratar os mesmos sintomas, sendo este o grupo de maior uso da canabis medicinal. Os resultados positivos variaram de 34,8% até 53% da amostra. Alguns revelaram relativa melhora nos sintomas depressivos após utilização dos compostos de formulação canabidiol (CBD) exclusiva, ou dominante, ou equilibrada com o tetrahidrocanabinol (THC). Formulações de THC exclusiva resultaram em piora dos sintomas. Contudo, um estudo afirma que houve piora dos sintomas depressivos, seja com formulação CBD ou THC, com p = 0,75. Conclusão: Apesar de haver estudos que apontem melhora nos sintomas do quadro depressivo, não é inexpressivo aqueles que evidenciam a piora dos mesmos, levando à uma dicotomia quanto a utilização ou não dos canabinoides como substâncias legais para tratamento de transtornos depressivos. A barreira legal para a realização de testes clínicos utilizando canabinoides torna o cenário nacional dependente de pesquisas internacionais, que ainda são incipientes. Frente à incerteza da aplicabilidade, novos estudos são necessários no campo de estudo.Downloads
Publicado
2026-09-23
Edição
Seção
Resumos