INFLAMAÇÃO E PROGRESSÃO DA DIABETES

Autores

  • Júlia Oliver Massinatori Alpino Autor
  • Pietra Biaggi Rossi Autor
  • Ana Cecília Andrade Fernandes Autor
  • Camila Petersen de Carvalho Autor
  • Renato Augusto Paro Lima Autor
  • João Paulo Galleti Pilon Autor

Palavras-chave:

Diabetes Mellitus Tipo 2, Resistência à Insulina, Estresse Oxidativo, Doenças Cardiovasculares.

Resumo

O diabetes mellitus está associado à progressão de um estado de inflamação crônica de baixo grau, conhecido como metainflamação. A interação entre processos inflamatórios e resistência à insulina sustenta a disfunção metabólica, especialmente no diabetes mellitus tipo 2 (DM2). Além disso, o estresse oxidativo e mediado res inflamatórios, como citocinas e produtos finais de glicação avançada (AGEs), intensificam esse quadro e favorecem o desenvolvimento de complicações. O objetivo foi analisar o papel da inflamação na progressão do diabetes mellitus, com ênfase na metainflamação, na interação imunometabólica e sua influência sobre a resistência à insulina e em suas complicações. Realizou -se uma revisão narrativa da literatura por meio da base de dados PubMed, utilizando descritores relacionados a inflamação, diabetes mellitus, resistência à insulina e estresse oxidativo. Foram selecionados estudos clínicos, experimentais e revisões relevantes, com foco nos mecanismos inflamatórios envolvidos na progressão da doença. A análise dos estudos selecionados evidenciou uma associaç ão direta entre inflamação crônica de baixo grau e a progressão do DM2. Citocinas pró -inflamatórias, especialmente TNF -α, IL -6 e IL -1β, desempenham papel central na fisiopatologia, promovendo resistência à insulina e disfunção das células β pancreáticas. Adicionalmente, a ativação de vias inflamatórias intracelulares, como NF - κB e JAK/STAT, foi identificada como mecanismo -chave na manutenção do estado inflamatório e da deterioração metabólica. O tecido adiposo também exerce papel relevante, sendo responsável por até 35% da IL-6 circulante, o que reforça sua contribuição para a inflamação sistêmica no DM2. Fatores como obesidade, disbiose intestinal e dieta inadequada intensificam ainda mais esse processo, evidenciando a estreita interação entre metabolismo e sistema imunológico. Do ponto de vista clínico, a inflamação crônica está associada a maior risco de complicações, especialmente nefropatia diabética (presente em cerca de 20% a 40% dos pacientes) e doenças cardiovasculares, com aumento significativo do risco de eventos graves (razão de risco de até 2,11 associada a níveis elevados de IL -6). A inflamação crônica de baixo grau desempenha um papel fundamental na progressão do DM2, contribuindo tanto para a resistência à insulina quanto para a disfunção das células β pancreáticas. Além disso, está fortemente associada ao desenvolvimento de complicações. Dessa forma, o direcionamento terapêutico das vias inflamatórias representa uma estratégia promissora para melhorar o manejo da doença e a qualidade de vida dos pacientes.

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Publicado

2026-10-06