INFLAMAÇÃO SISTÊMICA NA DEPRESSÃO: EVIDÊNCIAS ATUAIS E IMPLICAÇÕES CLÍNICAS
Palavras-chave:
Depressão, Inflamação Sistêmica, Biomarcadores Inflamatórios, Citocinas.Resumo
A depressão constitui um dos transtornos mentais mais prevalentes e incapacitantes no mundo, representando uma das principais causas de carga global d e doença. Evidências recentes sugerem que a inflamação sistêmica de baixo grau desempenha um papel potencialmente relevante em sua fisiopatologia, sendo biomarcadores inflamatórios periféricos associados à gravidade clínica e à resposta terapêutica. Apesar dos avanços, persistem limitações relacionadas à padronização desses biomarcadores e à sua aplicabilidade clínica, evidenciando lacunas na translação dos achados experimentais para a prática assistencial. O objetivo deste estudo foi analisar criticamente as evidências recentes sobre a associação entre inflamação sistêmica e depressão, com ênfase em biomarcadores inflamatórios, mecanismos fisiopatológicos e implicações clínicas. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, conduzida conforme as recomend ações da SANRA (Scale for the Assessment of Narrative Review Articles). A busca foi realizada nas bases de dados PubMed, Scopus e Web of Science, incluindo estudos publicados entre 2021 e 2026, nos idiomas inglês e português. Foram utilizados descritores c ontrolados (MeSH/DeCS) relacionados à depressão e à inflamação sistêmica, combinados por operadores booleanos. Foram incluídos estudos clínicos, translacionais, revisões sistemáticas e meta -análises que investigaram a associação entre inflamação sistêmica e depressão. Foram excluídos estudos duplicados, sem aderência ao tema ou que não apresentavam evidências relevantes sobre biomarcadores inflamatórios ou mecanismos fisiopatológicos associados. A seleção dos estudos foi realizada com base na análise de tít ulos, resumos e textos completos. Ao final, os estudos incluídos foram submetidos à análise qualitativa descritiva, com ênfase nos principais biomarcadores inflamatórios, mecanismos fisiopatológicos envolvidos e suas implicações clínicas. Os resultados sug erem que a associação entre inflamação sistêmica e depressão é frequentemente descrita na literatura recente, especialmente em meta - análises e estudos clínicos, com níveis elevados de proteína C - reativa, interleucina-6 e TNF -α relacionados à maior gravidade sintomática, fadiga, anedonia e pior resposta terapêutica. Observa- se, ainda, potencial aplicabilidade futura desses biomarcadores na estratificação diagnóstica e prognóstica. Mecanismos como ativação microglial, disfunção do eixo hipotálamo -hipófise- adrenal e alterações na via triptofano-quinurenina são descritos como mediadores da interação entre inflamação periférica e alterações neurobiológicas. Contudo, a heterogeneidade metodológica dos estudos e a ausência de padronização limitam sua implementação clínica. Conclui -se que a inflamação sistêmica representa uma importante dimensão fisiopatológica da depressão, com potencial valor diagnóstico, prognóstico e terapêutico. Entretanto, sua incorporação na prática clínica ainda depende de validação longitud inal e de avanços em estratégias de psiquiatria de precisão.Downloads
Publicado
2026-10-06
Edição
Seção
Resumos