MANIFESTAÇÕES NEUROPSIQUIÁTRICAS DA NEUROSSÍFILIS: REVISÃO INTEGRATIVA DAS INTERFACES CLÍNICAS E DESAFIOS DIAGNÓSTICOS.

Autores

  • Gabriela Modolin Arroteia Autor
  • Beatriz Massagli Soeiro Autor
  • Júlia Mel de Moraes Ximenes Autor
  • Stella Barradas Queiroz Carmona Autor
  • Michelly Cristina Montenote Autor

Palavras-chave:

Neurossífilis, Manifestações Neuropsiquiátricas, Treponema Pallidum, Psicose, Diagnóstico Diferencial.

Resumo

A neurossífilis é uma infecção crônica decorrente da invasão do sistema nervoso central pela bactéria Treponema pallidum, apresentando aumento progressivo nos últimos anos, especialmente em populações de maior risco. Devido à sua apresentação clínica heterogênea, essa condição pode mimetizar diversas doenças neurológicas e psiquiátricas, em razão da ampla variabilidade de suas manifestações clínicas. Entre as manifestações neuropsiquiátricas, destacam -se delírio, psicose, transtornos do humor, comprometimento cognitivo e alterações de personalidade, frequentemente levando a diagnósticos equivocados como transtornos psiquiátricos primários. O objetivo deste estudo foi sintetizar e analisar criticamente as evidências disponíveis sobre as manifestações neuropsiquiátricas da neurossí filis, enfatizando suas características clínicas, mecanismos fisiopatológicos propostos, desafios diagnósticos e implicações para a prática em saúde mental. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, conduzida por meio de estratégia de busca sistematizada na base de dados PubMed/MEDLINE, abrangendo publicações no período de 2020 a 2026. Foram utilizados descritores controlados e termos livres combinados por operadores booleanos, sendo selecionados 17 estudos após aplicação dos critérios de elegibilidade e leitura na íntegra. Os resultados indicam que a neurossífilis frequentemente se manifesta por quadros clínicos atípicos e heterogêneos, com destaque para sintomas psicóticos e declínio cognitivo, além de forte sobreposição com transtornos psiquiátri cos primários. As dificuldades diagnósticas estão relacionadas à inespecificidade dos sintomas, à ausência de um único teste diagnóstico com alta acurácia e à dependência de exames do líquido cefalorraquidiano. Mecanismos como neuroinflamação, disfunção da barreira hematoencefálica e alterações proteicas parecem estar envolvidos na fisiopatologia da doença. Observa -se ainda que, em muitos casos, há melhora significativa do quadro clínico após o tratamento com antibioticoterapia adequada, mesmo em pacientes inicialmente refratários ao tratamento psiquiátrico. Conclui -se que a neurossífilis permanece uma condição subdiagnosticada e de grande relevância clínica, devendo ser considerada no diagnóstico diferencial de quadros neuropsiquiátricos atípicos. O reconhe cimento precoce e o tratamento adequado são fundamentais para prevenir danos neurológicos irreversíveis. Ressalta-se a necessidade de estudos com maior robustez metodológica para aprofundar a compreensão de sua prevalência, mecanismos fisiopatológicos e impacto na saúde mental.

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Publicado

2026-10-06