EFICÁCIA E SEGURANÇA DO TRANSPLANTE DE PRECURSORES NEURAIS DOPAMINÉRGICOS DERIVADOS DE CÉLULAS TRONCO PLURIPOTENTES INDUZIDAS NO TRATAMENTO DA DOENÇA DE PARKINSON
Palavras-chave:
Células-tronco Pluripotentes Induzidas, Doença De Parkinson, Neurônios Dopaminérgicos.Resumo
A doença de Parkinson (DP) é um distúrbio neurodegenerativo que afeta 10 milhões de pessoas mundialmente. É caracterizada pela perda de neurônios dopaminérgicos, principalmente na substantia nigra pars compacta. A deficiência de dopamina resultante desencadeia tremores de repouso, rigidez muscular e comprometimentos cognitivos. A terapia padrão foca na reposição de dopamina. O transplante de progenitores neuronais dopaminérgicos (DNP) derivados de células - tronco pluripotentes induzidas (iPSC) apresenta-se como uma nova terapia, visando a restauração biológica das vias neurais. Este estudo visa avaliar a eficácia e a segurança do transplante de DNP derivados de iPSC na modificação dos sintomas motores e na produção de dopamina. Foi realizada uma revisão de literatura na base de dados PubMed com os termos “Induced pluripotent stem cells” AND “Parkinson disease”, resultando em 2 estudos que foram incluídos para análise. Os 2 resultados apresentavam resultados do ensaio de Kyoto, que incluiu 7 pacientes com DP diagnosticada pelos critérios clínicos da Movement Disorder Society. Foi realizado um transplante bilateral no putâmen, utilizando DNP derivados de iPSC; 3 pacientes receberam um transplante de baixa dose (LDT) (2,1 -2,6 x 106 células por hemisfério) e 4 um transplante de alta dose (HDT) (5,3-5,5 x 106 células por hemisfério). As iPSC derivaram de sangue periférico de um indivíduo saudável homozigoto para o haplótipo mais frequente na população japonesa. A imunossupressão consistiu em tacrolimus (0,06 mg/kg duas vezes ao dia) com níveis basais alvo de 5 -10 ng ml-1. Houve 73 efeitos adversos, dose -independentes, sendo 72 leves e 1 caso moder ado de discinesia; o evento mais frequente foi prurido no local da administração. Na ressonância magnética, o enxerto mostrou aumento contínuo de volume, sem sinais de crescimento tumoral ou inflamação nas áreas do transplante e circundantes, mesmo após a descontinuação da imunossupressão. Seis pacientes mostraram aumento na discinesia na Unified Dyskinesia Rating Scale e, durante o período on-time, os pacientes relataram discinesia nos diários motores de autorrelato. Contudo, no período off-time, não houve aumento na discinesia. Nove pacientes apresentaram melhora na função motora pela MDS Unified Parkinson’s Disease Rating Scale, 5 on -time e 4 off -time, a melhora foi dose - independente. Cinco pacientes melhoraram o estágio Hoehn -Yahr, 4 off -time e 1 on -time. Não houve melhoras aos 24 meses no Parkinson’s Disease Questionnaire de 39 itens (PDQ -39). Os valores totais Ki de F-DOPA putaminal aumentaram aos 24 meses, 7% no LDT e 63,5% no HDT. Enquanto os valores totais Ki de F-DOPA no núcleo caudado diminuíram. Portanto, o transplante de DNPs derivados de iPSC prova ser segura e eficaz, promovendo a restauração da via dopaminérgica em pacientes com DP. O procedimento é viável, mostrando sobrevivência sustentada do enxerto e um aumento dose -dependente na produção de dopamina, sem evidências de formação de tumor ou inflamação após a descontinuação da imunossupressão. Embora melhoras motoras significativas tenham sido observadas nas escalas MDS e Hoehn -Yahr, a persistência de discinesias e a falta de impacto na quali dade de vida dos pacientes ainda requerem investigação adicional. Mais ensaios clínicos são necessários, comparando a intervenção ao placebo e a terapias consagradas.Publicado
2026-10-01
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Resumos