ESTRESSE ACÚSTICO NA UTI NEONATAL: O CONTROLE AMBIENTAL MULTIDISCIPLINAR COMO ESTRATÉGIA PARA PREVENIR SEQUELAS AUDITIVAS E COGNITIVAS CRÔNICAS

Autores

  • Leticia Camargo Teles Autor
  • Wesley Gabriel Fantato Autor
  • Rio Claro Autor
  • Mariana Cristina da Silva Almeida Autor

Palavras-chave:

Ruído Unidade De Terapia Intensiva Neonatal Neurodesenvolvimento Perda Auditiva Cuidado Interdisciplinar.

Resumo

A Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) constitui um ambiente de alta complexidade sensorial, onde a coexistência de tecnologias de suporte à vida e a intensa atividade clínica geram níveis de pressão sonora que rotineiramente excedem os padrões de segurança. Para o recém - nascido pré- termo, cujo sistema auditivo se encontra em um estágio crítico de maturação estrutural e funcional, a exposição prolongada ao ruído contínuo e a picos sonoros súbitos atua como um potente estressor epigenético. Embora as consequências clínicas sejam bem documentadas na literatura, observa-se uma lacuna persistente na discussão sobre medidas preventivas eficazes e no engajamento da equipe multidisciplinar. Portanto, este estudo justifica -se pela necessidade de validar estratégias de controle ambiental que superem os desafios de implementação nas UTINs, enfatizando a integração da equipe como pilar do cuidado neuroprotetor. Analisar as evidências científicas publicadas nos últimos cinco anos acerca do impacto do manejo do ambiente acústico na UTIN, enfocando sua eficácia como intervenção clínica na prevenção de deficiências crônicas no neurodesenvolvimento. Realizou-se uma revisão abrangente da literatura científica nas bases de dados PubMed, Web of Science e Cochrane Library. Os critérios de inclusão selecionaram revisões sistemáticas, ensaios clínicos e estudos observacionais publicados em português e inglês, entre os anos de 2021 e 2026. A busca utilizou descritores MeSH e DeCS: "Efeitos do Ruído", "Cuidado Intensivo Neonatal", "Neurodesenvolvimento" e "Controle Ambiental". A seleção dos artigos seguiu um rigoroso processo de triagem em três etapas: análise inicial por título, leitura técnica dos resumos e avaliação criteriosa do texto completo. Foram estabelecidos como critérios de exclusão estudos que não focassem na população neonatal ou que apresentassem metodologias inconsistentes com o recorte temporal proposto. Dados compilados entre 2022 e 2025 revelam que os níveis médios de ruído nas UTINs flutuam entre 60 e 70 dB, com picos que ultrapassam 90 dB, distanciando-se significativamente do limite de 35-45 dB recomendado pela Academia Americana de Pediatria. Tais níveis elevados interrompem o sono REM, essencial para a sinaptogênese e para a poda neural. Evidências demonstram que protocolos multidisciplinares, como a "Hora do Psiu", o posicionamento estratégico de incubadoras e o uso de barreiras a cústicas, reduzem as taxas de taquicardia e episódios de dessaturação. O papel proativo do enfermeiro no gerenciamento de alarmes, aliado à expertise do fisioterapeuta na estimulação sensorial individualizada e redução de vibrações, é fundamental para a es tabilidade hemodinâmica e proteção cerebral do neonato. O controle do ambiente acústico transcende a medida de conforto, configurando-se como uma terapia neuroprotetora não farmacológica de alto impacto. A mitigação de sequelas auditivas e cognitivas exige uma mudança de paradigma institucional, onde a redução do ruído seja monitorada como um indicador clínico vital. A colaboração interprofissional entre enfermagem e fisioterapia é indispensável para assegurar um ambiente terapêutico que preserve a integridade neurofuncional a longo prazo do neonato de alto risco.

Publicado

2026-10-01