PEOPLE EXPERIENCING HOMELESSNESS WITH CHRONIC PSYCHIATRIC COMORBIDITIES: AN EPIDEMIOLOGICAL AND INTEGRATIVE REVIEW

Autores

  • Marco Tulio De Oliveira Autor
  • Bianca Fonseca Repetti Autor
  • Laura Mendes Abib da Silva Autor
  • Dr. Marcelo Rodrigues Autor

Palavras-chave:

Pessoas Em Situação De Rua, Comorbidades Crônicas, Saúde Mental, Epidemiologia, Cuidado Integrado.

Resumo

INTRODUÇÃO: A população em situação de rua ocupa uma posição de profunda fragilidade no sistema de saúde, marcada pela sobreposição de doenças crônicas, sofrimento psíquico e dificuldades concretas de acesso ao cuidado. Não se trata apenas de exclusão social, trata-se de um ciclo em que a ausência de moradia agrava as condições de saúde e, ao mesmo tempo, o adoecimento dificulta a saída das ruas. Estudos epidemiológicos recentes apontam que a prevalência vitalícia de transtornos mentais nesse grupo pode ultrapassar 77%, número que revela a magnitude do problema. Quando se considera ainda a coexistência de esquizofrenia, depressão grave e transtornos por uso de substâncias com doenças físicas crônicas, o quadro clínico resultante extrapola a capacidade de resposta dos modelos convencionais de atenção à saúde. OBJETIVOS: Buscou-se analisar o perfil epidemiológico dessa população e mapear os principais entraves terapêuticos, bem como as estratégias que têm demonstrado efetividade no manejo de in divíduos com comorbidades psiquiátricas e clínicas crônicas. MATERIAIS E MÉTODOS: Realizou-se uma revisão integrativa de caráter descritivo, analisando 11 estudos e documentos epidemiológicos recentes de acesso aberto voltados à multimorbidade e à atenção à saúde dessa população. A seleção dos estudos priorizou aqueles que investigaram tanto a prevalência de condições psiquiátricas quanto os desfechos de intervenções terapêuticas distintas. RESULTADOS: Os dados reunidos evidenciam elevada ocorrência de dor crônica, depressão grave, distúrbios do sono, uso problemático de substâncias psicoativas e transtornos psicóticos, configurando um cenário clínico de alta complexidade e demanda por cuidado longitudinal. A isso se somam obstáculos de ordem estrutural e so cial (precariedade habitacional, violência cotidiana, estigma, discriminação nos serviços e fragmentação entre atenção primária, saúde mental e assistência social) que comprometem a adesão e os resultados do tratamento. Por outro lado, experiências com cui dado integrado, equipes multiprofissionais, vínculo longitudinal e busca ativa mostraram-se capazes de melhorar a continuidade do acompanhamento, diminuir internações de urgência e ampliar o alcance do cuidado para pessoas com diagnósticos duplos. CONCLUSÃ O: O cuidado efetivo dessa população não se resolve com protocolos isolados. Requer abordagem ampla, contínua e humanizada, que reconheça os determinantes sociais como parte indissociável do processo saúde- doença e que integre, de forma coerente, o cuidado clínico, a saúde mental e o suporte social. Novos estudos são necessários para avaliar a efetividade a longo prazo dos modelos de cuidado integrado e subsidiar políticas públicas de saúde baseadas em evidências para essa população.

Publicado

2026-10-01