USO DA TOXINA BOTULÍNICA TIPO A NO TRATAMENTO DA DOR PÉLVICA CRÔNICA EM MULHERES: UMA REVISÃO DE LITERATURA DE ENSAIOS CLÍNICOS RANDOMIZADOS
Palavras-chave:
Toxina Botulínica Tipo A, Dor Pélvica, Mulheres.Resumo
A dor pélvica crônica (DPC) é uma síndrome persistente, não cíclica, frequen temente associada à hipertonia do assoalho pélvico e mialgia, afetando até 26% da população feminina global. Devido o impacto severo na qualidade de vida e função sexual, e frequente refratariedade à fisioterapia convencional, novas abordagens são necessárias. Nesse cenário, a toxina botulínica tipo A (BTx - A) surge como alternativa terapêutica devido às suas propriedades miorelaxantes e antinociceptivas, embora sua eficácia e segurança a longo prazo permaneçam em debate. O objetivo do estudo foi avaliar a e ficácia e o perfil de segurança da BTx -A no tratamento da DPC em mulheres, através da análise de ensaios clínicos randomizados (RCTs). Realizou-se uma revisão de literatura na base de dados PubMed utilizando a estratégia PICO e os descritores “Botulinum toxins” AND “Chronic pelvic pain”. A seleção restringiu-se a RCTs que avaliaram mulheres com DPC e disfunção do assoalho pélvico. Dois estudos preencheram os critérios de elegibilidade (n=60 e n=94 participantes). No estudo com 60 participantes, a BTx -A (80U ) promoveu redução significativa na dispareunia (p < 0,001) e na dor pélvica não menstrual (p = 0,009) em comparação ao basal, além de reduzir a pressão do assoalho pélvico de forma superior ao placebo (p < 0,001). Já no estudo com 94 participantes (BTx -A 100U associada à fisioterapia), não houve diferença estatisticamente significativa na redução de dor ≥33% entre o grupo intervenção (33%) e o placebo (20%; p = 0,19). Ambos os estudos observaram melhora nos escores de qualidade de vida e dor ao longo do tempo, sugerindo um potencial efeito placebo ou benefício do manejo multidisciplinar. Eventos adversos foram majoritariamente leves e transitórios (sangramento local, constipação e fraqueza muscular), embora relatos isolados de incontinência exijam cautela. Eventos adversos mais significativos foram dois episódios de gravidezes na vigência do tratamento que resultaram em má-formação e complicação gestacional. Os estudos convergem para uma evidência de eficácia clínica limitada a longo prazo, apesar da redução objetiva da atividade muscular. Observa-se uma dissociação clínico -fisiológica, onde o relaxamento muscular nem sempre se traduz em alívio sustentado da dor. A BTx -A apresenta um perfil de segurança aceitável, mas seu uso deve ser criteriosamente avaliado em mulheres em idade fértil, sendo recomendada a fenotipagem de pacientes para identificar subgrupos beneficiados.Publicado
2026-10-01
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Seção
Resumos