ASPECTOS ETIOPATOGÊNICOS, DIAGNÓSTICOS E TERAPÊUTICOS DO COLAPSO TRAQUEAL CANINO: UMA REVISÃO NARRATIVA

Autores

  • Luísa Fernandes Simões Autor
  • Laura Mansolelli Moreno Autor
  • Amabile Lorena Olhos Lopes Autor
  • Celina Vasconcelos de Lima Autor
  • Hellen Beatriz Neles Domingues Autor
  • Rafaela Moreira Mendes Autor

Palavras-chave:

Traqueia, Colapso Traqueal, Diagnóstico, Tratamento Cirúrgico, Cães.

Resumo

O colapso tr aqueal caracteriza-se por uma enfermidade respiratória progressiva e degenerativa, frequentemente observada em cães de pequeno porte e associada ao enfraquecimento das cartilagens traqueais. A doença ocorre devido à degeneração da matriz cartilaginosa, com substituição da cartilagem hialina por fibrocartilagem e fibras colágenas, resultando na perda da rigidez estrutural da traqueia e favorecendo seu colabamento durante o ciclo respiratório. A etiologia da enfermidade ainda não é completamente elucidada, se ndo considerada multifatorial, envolvendo fatores genéticos, congênitos, nutricionais, inflamatórios e alterações respiratórias secundárias. O objetivo deste trabalho foi realizar uma revisão de literatura acerca do colapso traqueal em cães, abordando aspe ctos anatômicos, etiopatogenia, sinais clínicos, métodos diagnósticos, classificação da doença, tratamentos disponíveis e prognóstico dos pacientes acometidos. O presente estudo caracteriza -se como uma revisão narrativa de literatura, desenvolvida a partir da análise de artigos científicos, livros e publicações acadêmicas nacionais e internacionais relacionados ao colapso traqueal canino. Foram utilizados artigos científicos, dissertações, teses e livros especializados em medicina veterinária. Os trabalhos entre 2009 e 2016 foram utilizados como base clássica para compreensão da etiopatogenia e alterações fisiopatológicas da enfermidade, enquanto os estudos de 2018 a 2024 contribuíram com informações atualizadas sobre métodos diagnósticos, uso de stents e ab ordagens terapêuticas modernas. Os sinais clínicos mais frequentemente observados incluem tosse seca paroxística, descrita como “grasnido de ganso”, intolerância ao exercício, dispneia, cianose e episódios de síncope, podendo variar conforme a gravidade da doença. O diagnóstico é realizado por meio da associação entre histórico clínico, exame físico e exames de imagem. A radiografia destaca -se como o método mais utilizado devido à sua acessibilidade e baixo custo, embora apresente limitações por se tratar de uma técnica estática diante de uma afecção dinâmica. A traqueoscopia é considerada o exame padrão-ouro, permitindo visualização direta do lúmen traqueal, avaliação da severidade do colapso e observação das alterações da mucosa respiratória. A fluoroscopia também pode ser utilizada, principalmente para avaliação dinâmica da traqueia durante o ciclo respiratório. O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico, dependendo da gravidade do quadro. O manejo clínico é indicado principalmente para pacientes com sinai s leves a moderados utilizando antitussígenos, corticosteroides, broncodilatadores e mudanças ambientais, como controle de peso e uso de coleiras peitorais. Já o tratamento cirúrgico é reservado para casos graves ou refratários à terapia medicamentosa, des tacando-se o uso de próteses extraluminais e stents endoluminais autoexpansíveis. Apesar dos avanços terapêuticos, complicações podem ocorrer, como migração ou fratura de stents e paralisia laríngea. Portanto, o colapso traqueal é uma enfermidade de grande relevância na clínica de pequenos animais, sendo fundamental o diagnóstico precoce e a escolha adequada da abordagem terapêutica para proporcionar melhor qualidade de vida e prognóstico aos pacientes acometidos.

Publicado

2026-10-01