INFLUENZA AVIÁRIA NO BRASIL: A RELAÇÃO ENTRE AVES SELVAGENS, DISSEMINAÇÃO VIRAL E SAÚDE ÚNICA - REVISÃO DE LITERATURA

Autores

  • Laura Mansolelli Moreno Autor
  • Luísa Fernandes Simões Autor
  • Gabriela Fiorucci Stievano Messias Autor
  • Júlia dos Santos Lanini Autor
  • Claudia Sampaio Fonseca Repetti Autor

Palavras-chave:

Influenza Aviária, Aves Selvagens, Disseminação Viral, Saúde única, Vigilância Epidemiológica.

Resumo

A influenza aviária é uma enfermidade viral altamente contagiosa causada pelo vírus Influenza A, pertencente à família Orthomyxoviridae, acometendo principalmente aves domésticas e silvestres, além de apresentar potencial zoonótico. Nas últimas décadas, o subtipo H5N1 ganhou destaque devido à elevada capacidade de disseminação, alta patogenicidade e impactos na saúde animal, saúde pública e economia mundial. Nesse contexto, as aves selvagens migratórias exercem papel fundamental na manutenção e propagação do vírus, especialmente por atuarem como reservatórios naturais assintomáticos e disseminarem partículas virais ao longo das rotas migratórias. O presente trabalho teve como objetiv o realizar uma revisão de literatura acerca da relação entre aves selvagens e a disseminação do vírus da influenza aviária, enfatizando o papel epidemiológico das aves migratórias, os mecanismos de propagação viral e sua interface com o conceito de Saúde Única, considerando os impactos na saúde animal, saúde humana e meio ambiente. Buscou -se compreender os mecanismos de transmissão viral, os impactos na avicultura e a importância das estratégias de vigilância epidemiológica e biossegurança. A revisão de lit eratura foi desenvolvida por meio de levantamento bibliográfico em bases de dados científicas, incluindo Google Scholar, SciELO, PubMed e CAPES Periódicos. Foram utilizados os descritores “influenza aviária”, “H5N1”, “aves migratórias”, “saúde única”, “inf luenza aviária de alta patogenicidade” e “wild birds and avian influenza”, combinados por operadores booleanos. Foram incluídos artigos científicos, dissertações, teses e documentos oficiais publicados nos idiomas português e inglês, priorizando trabalhos publicados nos últimos 10 anos e relacionados à epidemiologia, transmissão viral, vigilância sanitária e impactos da influenza aviária. Foram excluídos estudos duplicados, trabalhos sem relevância temática e publicações sem respaldo científico. A análise d os dados foi realizada de forma descritiva, visando sintetizar as principais informações acerca da participação das aves selvagens na disseminação viral e sua relação com a Saúde Única. Os estudos analisados demonstraram que aves aquáticas migratórias pertencentes principalmente às ordens Anseriformes e Charadriiformes são importantes reservatórios do vírus influenza A, favorecendo sua disseminação entre diferentes regiões geográficas. A transmissão ocorre principalmente pelo contato com secreções respiratórias, fezes contaminadas, água e superfícies infectadas. Além disso, fatores como globalização, alterações ambientais e mudanças climáticas contribuem para a expansão da circulação viral e aumento do contato entre espécies. No Brasil, os primeiros casos de influenza aviária de alta patogenicidade pelo subtipo H5N1 foram registrados em 2023 em aves marinhas silvestres no estado do Espírito Santo, demonstrando a influência das rotas migratórias sul-americanas na introdução do vírus no país. Os estudos também evidenciam que a influenza aviária está diretamente relacionada ao conceito de Saúde Única, devido à interação entre saúde animal, saúde humana e meio ambiente, além dos riscos econômicos associados à avicultura brasileira. Conclui-se que as aves selvagens possuem papel central na epidemiologia da influenza aviária, sendo essenciais na manutenção e disseminação do vírus em escala global. Dessa forma, o fortalecimento das medidas de biossegurança, da vigilância epidemiológica e da cooperação científica internacional torna-se indispensável para prevenção e controle da doença, reduzindo os impactos sanitários, econômicos e epidemiológicos associados à influenza aviária.

Publicado

2026-10-01