MODULAÇÃO DA MICROBIOTA INTESTINAL PARA MELHORA DA RESPOSTA À IMUNOTERAPIA REBECA MATTOS LEONARDO / Ana Flávia Pontes Sodré - UNIMAR; Marília; São Paulo; Sofia Piceli dos
Palavras-chave:
Microbiota Intestinal, Imunoterapia Oncológica, Modulação Do Microbioma, Resposta Ao Tratamento.Resumo
Introdução: A microbiota intestinal, composta por trilhões de microrganismos, desempenha papel essencial na manutenção da homeostase e na modulação do sistema imunológico. Alterações em sua composição estão associadas ao desenvo lvimento e à progressão de diversos tipos de câncer. Evidências recentes indicam que a microbiota pode influenciar a eficácia e a toxicidade da imunoterapia, tornando -se um potencial alvo para estratégias terapêuticas personalizadas. Objetivo: Avaliar como a modulação da microbiota intestinal influencia a resposta à imunoterapia no câncer, com foco nos mecanismos subjacentes, estratégias terapêuticas e desfechos clínicos. Métodos: Foi realizada uma revisão abrangente da literatura em importantes bases de da dos científicas, incluindo PubMed e Semantic Scholar. A estratégia de busca abordou domínios centrais relacionados à microbiota intestinal e à imunoterapia oncológica, incluindo vias mecanísticas, estratégias de intervenção (como transplante de microbiota fecal, probióticos e modulação dietética), evidências clínicas e biomarcadores de resposta. Aplicou-se um processo de seleção em múltiplas etapas, baseado na relevância e na qualidade metodológica dos estudos. Cinquenta estudos foram incluídos na análise f inal. Resultados: A microbiota intestinal emergiu como um fator crítico na influência dos desfechos da imunoterapia contra o câncer. Evidências atuais indicam forte associação entre a composição da microbiota intestinal e a eficácia dos inibidores de checkpoint imunológico. Estudos demonstraram que a microbiota intestinal modula respostas antitumorais por meio da regulação tanto da imunidade inata quanto da adaptativa, influenciando diretamente o microambiente tumoral. Metabólitos microbianos, como ácidos g raxos de cadeia curta, derivados do triptofano, ácidos biliares e inosina, potencializam a ativação de células T efetoras, estimulam a produção de citocinas pró -inflamatórias e reduzem a atividade de células T reguladoras, promovendo respostas imunes antit umorais mais robustas. Clinicamente, pacientes respondedores apresentaram consistentemente maior diversidade microbiana e enriquecimento de táxons específicos, incluindo Akkermansia muciniphila, Faecalibacterium prausnitzii, espécies de Bifidobacterium, espécies de Lactobacillus e membros da família Ruminococcaceae. Em contraste, a disbiose induzida por antibióticos esteve associada à redução significativa da eficácia terapêutica. Entre as intervenções avaliadas, o transplante de microbiota fecal destacou -se como a estratégia mais promissora, com meta - análises relatando taxas de resposta objetiva de até 43% quando combinado à imunoterapia. Intervenções dietéticas baseadas em fibras e prebióticos também demonstraram aumento da diversidade microbiana e correl ação positiva com melhores desfechos clínicos. Além disso, probióticos e microrganismos geneticamente modificados apresentaram efeitos imunomoduladores favoráveis em modelos experimentais, embora ainda sejam necessárias validações clínicas adicionais. Apes ar desses avanços, persiste considerável heterogeneidade metodológica entre os estudos devido a variações nas populações de pacientes, padrões alimentares, fatores geográficos, genética do hospedeiro e tipos tumorais, reforçando a necessidade de protocolos padronizados e de investigações adicionais sobre segurança e aplicabilidade clínica. Conclusão: A modulação da microbiota intestinal vem se tornando um elemento importante na resposta à imunoterapia oncológica, influenciando tanto a eficácia terapêutica quanto os desfechos clínicos por meio de mecanismos imunológicos complexos. Estratégias como transplante de microbiota fecal, intervenções dietéticas e uso de probióticos demonstram potencial promissor na otimização das respostas terapêuticas, embora ainda careçam de padronização e validação em larga escala. Dessa forma, a integração da microbiota como biomarcador e alvo terapêutico representa uma abordagem inovadora e personalizada, com potencial para melhorar significativamente os resultados da imunoterapia contra o câncer.Publicado
2026-10-01
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Resumos