OBESIDADE COMO FATOR DE RISCO PARA O CÂNCER: MECANISMOS MOLECULARES.
Palavras-chave:
Obesidade Câncer Mecanismo Molecular Relação Resistência à Insulina.Resumo
INTRODUÇÃO: A obesidade é reconhecida atualmente como uma das principais causas evitáveis de diversos tipos de câncer atingindo proporções epidêmicas que sobrecarregam os sistemas de saúde. Estima-se que até 8% de todos os tipos de câncer sejam atribuídos diretamente ao excesso de adiposidade. O excesso de peso corporal está associado a um maior risco de pelo menos 13 tipos diferentes de câncer, incluindo câncer de mama (pós - menopausa), colorretal, endometrial, renal, esofágico, pancreático, hepático e de vesícula biliar. OBJETIVO: Este estudo teve como objetivo investigar o s mecanismos moleculares que relacionam a obesidade como fator de risco para o câncer, incluindo alterações metabólicas, inflamatórias e hormonais envolvidos. MÉTODO: Trata- se de uma revisão narrativa de literatura baseada em busca nas bases de dados PubMe d, com os descritores relacionados à "obesidade", "câncer" e "mecanismo molecular". Foram incluídos estudos experimentais e clínicos que abordaram a relevância do tema na atualidade, aplicando filtros para estudos clínicos e meta -análise publicados nos últ imos 5 anos. RESULTADOS: Os estudos apontam que o sobrepeso age por meio de diversos mecanismos moleculares. Em mulheres na pós-menopausa, a desregulação de leptina, PCR, insulina e estradiol explicam cerca de 20 a 24% do risco de desenvolvimento de câncer de mama, colorretal e endométrio. A elevação nos níveis de leptina, identificada como uma molécula com propriedades pró -tumorais, concomitante a uma redução nos níveis de adiponectina. Esta última, em condições normais, atua como um agente antitumoral, e sua supressão remove uma importante barreira metabólica contra o crescimento de massas celulares anômalas. A hiperglicemia crônica, resultante da resistência à insulina, aumenta a biodisponibilidade do fator de crescimento semelhante à insulina (IGF-1), que atua como um potente mitógeno celular. O emagrecimento revelou se vantajoso ao diminuir os níveis de micro - RNAs como miR -200b-3b, e atenuar a atividade da via de sinalização da insulina/IGF-1. A inflamação crônica sistêmica de baixo grau, fomentada pelo excesso de tecido adiposo, emergiu como um modulador do microambiente tumoral. O aumento de citocinas pró - inflamatórias correlacionou-se positivamente com o favorecimento da angiogênese e da capacidade de invasão celular. Adicionalmente, alterações genéticas induzidas pela toxicidade causa alterações em proteínas pró - oncogênicas, além de aumentar os níveis de ceramidas e esfingolipídios no sangue de pacientes com câncer renal. Por outro lado, o câncer de próstata não apresenta associação com leptina e adiponectina, propondo que os mecanismos podem ser distintos. CONCLUSÃO: A evidência científica confirma que a obesidade é um fator crítico na etiologia e no prognóstico do câncer através de mecanismos moleculares complexos que envolvem vias endócrinas e inflamatórias. Compreender esses mecanismos é fundamental para o desenvolvimento de estratégias preventivas e terapêuticas, reforçando que intervenções no estilo de vida, como dieta e exercícios, são pilares essenciais no controle da progressão neoplásica e na redução da carga global da doença.Publicado
2026-10-01
Edição
Seção
Resumos