PACIENTE PORTADORA DE MÚLTIPLAS DOENÇAS DO TECIDO CONJUNTIVO PARA REALIZAÇÃO DE PROCEDIMENTO ORTOPÉDICO: A IMPORTÂNCIA DA PROFUNDIADE DA AVAÇIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA - RELATO DE CASO

Autores

  • Luiza Pedro Costanzo Autor
  • Teófilo Augusto Araújo Tiradentes Autor

Palavras-chave:

Anestesiologia, Comorbidades, Preoperatório.

Resumo

Introdução: Doenças reumáticas podem acom eter indivíduos de diferentes idades e gêneros. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 70% dos idosos apresentam alguma condição crônica, sendo a Artrite Reumatoide (AR) uma das mais prevalentes, frequentemente coexistente com outras doenças reumatológicas. Artrite Reumatoide, enfermidade inflamatória crônica e sistêmica, compromete principalmente a membrana sinovial das articulações, especialmente occipito -C1 e C1-C2. Essa localização limita a mobilidade e pode evoluir para subluxação atlanto -axial, instabilidade vertebral e manifestações neurológicas - aspectos cruciais na avaliação pré - anestésica. A Esclerodermia Sistêmica (ES), na forma cutânea difusa, caracteriza -se por espessamento dérmico e complicações intersticiais pulmonares. Ademais, vasculopati as como a Síndrome de Raynaud, marcada por vasoespasmo periférico, podem mascarar a perfusão, contribuindo para instabilidades hemodinâmicas.A Síndrome de Sjögren (SJ), compromete glândulas exócrinas, inclusive das mucosas do trato respiratório. Aqui relat aremos paciente portadora de AR, ES e SJ, com repercussões sistêmicas e manifestações localizadas relevantes. Objetivos: Relatar o caso de paciente portadora de múltiplas doenças sistêmicas submetida a procedimento cirúrgico ortopédico, destacando os ponto s-chave da avaliação pré - anestésica. Busca-se discutir estratégias para antever possíveis complicações no perioperatório, reforçando a relevância da anestesiologia e do manejo pré-operatório individualizado em pacientes complexos. Material e Métodos: Mulher, 63 anos,fratura de fêmur direito, com indicação cirúrgica. Portadora de AR, ES, SJ e Hipertensão Arterial Sistêmica. Uso regular de ramipril, diurético, diosmina/hesperidina, ácido acetilsalicílico e prednisolona. Antecedente cirúrgico de artrodese lombar. Na avaliação pré - operatória, observou -se venóclise de difícil acesso, deformidades anatômicas significativas em extremidades digitais, impossibilitando uso de oxímetro digital. Apresentava insuficiência pulmonar moderada, abertura bucal reduzida, retrognatismo importante, dentição em péssimo estado e limitação funcional da coluna cervical, sem capacidade de flexão, hiperextensão e rotação lateral. Exames laboratoriais estavam dentro da normalidade. Negava história de alergias. Ao chegar ao centro cirú rgico, encontrava -se consciente, orientada e hemodinamicamente estável. Resultados: Chegou consciente, orientada e hemodinamicamente estável. Monitorada com cardioscópio, pressão arterial não invasiva e oxímetro posicionado em lóbulo auricular. Indução ane stésica realizada com propofol (3 mg/kg), fentanil (100 mcg), lidocaína sem vasoconstritor (100 mg) e máscara laríngea nº 4. Manutenção anestésica ocorreu com sevoflurano (F exp 2,5), dexametasona (10 mg), dipirona (2 g), morfina (2 mg) e ondansetrona (8 mg). Perioperatório sem intercorrências. Encaminhada lúcida, orientada e estável à recuperação, onde permaneceu por 2 horas, posteriormente transferida ao quarto.Uso do corticoide neste caso objetivou proteção renal, considerando que procedimentos de grande porte podem acarretar insuficiência adrenocortical, condição que implicaria em piora significativa do prognóstico, além da redução dos níveis de citocinas pró -inflamatórias contribuindo para a manutenção da homeostasia cardiovascular, respiratória, hepáti ca e renal. Também fundamental foi a escolha da máscara laríngea como primeira opção de via aérea, diante das alterações anatômicas decorrentes da AR, que caracterizavam via aérea difícil. Conclusão: Este caso evidencia a relevância da avaliação pré -anestésica individualizada, frequentemente subestimada, sobretudo em pacientes com múltiplas comorbidades. Reconhecimento precoce das particularidades clínicas modifica o prognóstico e previne complicações perioperatórias. Objetivamos ressaltar a importância do planejamento anestésico personalizado e contribuir para disseminação de práticas que visam reduzir riscos e melhorar desfechos em pacientes complexos.

Publicado

2026-10-01