PANCREATITE COMO FATOR ASSOCIADO AO DESENVOL VIMENTO DE DIABETES MELLITUS TIPO 3C: REVISÃO SISTEMÁTICA

Autores

  • Nariele Samira De Souza Autor
  • Jordana Colombo Barboza Autor
  • Rodolfo de Oliveira Medeiros Autor

Palavras-chave:

Pancreatite, Diabetes Tipo 3c, Diabetes Pancreatogênico.

Resumo

A pancreatite crônica é uma síndrome fibroinflamatória progressiva que resulta em danos permanentes ao parênquima pancreático, comprometendo suas funções exócrina e endócrina. Nesse contexto, o pâncreas desempenha um papel cru cial na regulação metabólica por meio da produção de insulina pelas células beta das ilhotas pancreáticas; no entanto, a inflamação persistente e a fibrose reduzem progressivamente a massa funcional dessas células, prejudicando a secreção hormonal. Consequentemente, essa disfunção endócrina culmina no diabetes mellitus tipo 3c (DM3c), também denominado diabetes pancreatogênico, que se caracteriza por ser secundário a patologias do pâncreas exócrino e apresenta desafios clínicos específicos, como uma acentua da variabilidade glicêmica. Portanto, o objetivo deste estudo é analisar a pancreatite como fator predisponente ao desenvolvimento do diabetes mellitus tipo 3c. Para isso, foi realizada uma revisão sistemática conforme o protocolo PRISMA. A busca foi efetu ada na base de dados PubMed utilizando os descritores "Pancreatitis" AND ("Type 3c Diabetes" OR "Pancreatogenic Diabetes"). Além disso, foram aplicados filtros de estudos publicados nos últimos 5 anos, texto completo gratuito e em inglês. Os critérios de i nclusão foram ensaios clínicos, estudos de coorte e observacionais. Foram excluídos artigos de revisão sistemática, meta - análise e editoriais. Como resultado, a busca identificou 54 estudos, dos quais 35 foram incluídos na análise final. De modo geral, os estudos analisados demonstraram que a pancreatite é importante fator predisponente ao desenvolvimento do diabetes mellitus tipo 3c. O risco está relacionado à pancreatite aguda, à pancreatite aguda recorrente e à pancreatite crônica, sendo esta última res ponsável pela maioria dos casos. Os principais mecanismos envolvidos incluem inflamação pancreática, fibrose e redução da massa e/ou função das células alfa e beta, comprometendo a secreção de glucagon e insulina. Além disso, alterações do polipeptídeo pan creático podem favorecer resistência insulínica hepática. Em conjunto, essas alterações contribuem para pior controle glicêmico e maior risco de complicações agudas, como hipoglicemia e cetoacidose diabética, além de complicações crônicas, como retinopatia e nefropatia. Além disso, observou -se, ainda, frequente subdiagnóstico ou classificação incorreta do DM tipo 3c como diabetes mellitus tipo 2. Em suma, a pancreatite configura-se como um fator de risco determinante e clinicamente relevante para o desenvolvimento do diabetes mellitus tipo 3c, uma vez que a progressão da lesão tecidual e da fibrose compromete diretamente a massa funcional das ilhotas pancreáticas. Assim, a identificação de fatores de risco específicos e o estabelecimento de um diagnóstico pr ecoce e preciso são fundamentais para diferenciar o DM3c de outras formas de diabetes, possibilitando, assim, intervenções terapêuticas personalizadas. Em última análise, essa detecção oportuna é essencial para otimizar o manejo clínico, reduzir a variabilidade glicêmica e mitigar complicações a longo prazo, resultando em uma melhora significativa na qualidade de vida dos pacientes acometidos por patologias pancreáticas.

Publicado

2026-10-01