USO ESTÉTICO DE IMPLANTES HORMONAIS SUBCUTÂNEOS: RISCOS CLÍNICOS E DESAFIOS PARA A ENDOCRINOLOGIA.
Palavras-chave:
Endocrinologia, Gestrinona, Implantes Hormonais, Efeitos Adversos.Resumo
INTRODUÇÃO: Nos últimos anos, a crescente valorização de padrões corporais idealizados tem impulsionado a procura por intervenções hormonais e metabólicas com finalidade substancialmente estética. Essas terapias são frequentemente associadas à busca por emagrecimento rápido e ganho de massa magra, porém muitas vezes sem indicação clínica formal ou acompanhamento médico adequado. Entre as práticas mais discutidas estão os i mplantes hormonais subcutâneos, conhecidos como “chips da beleza”. Embora essas substâncias possam ter indicações clínicas específicas, seu uso sem critérios médicos pode gerar riscos relevantes à saúde. Nesse contexto, a utilização indevida dessa terapia levanta importantes implicações éticas por expor indivíduos a riscos sem benefício terapêutico comprovado. Assim, elucidar essas práticas e suas repercussões clínicas torna-se fundamental para a comunidade médica e para a promoção do uso racional de terapias hormonais e metabólicas. OBJETIVO: Analisar os riscos clínicos, éticos e as implicações endocrinológicas e sistêmicas associados ao uso de hormônios para fins estéticos, com ênfase nos implantes hormonais subcutâneos. METODOLOGIA: Trata -se de uma revisã o narrativa da literatura, baseada em documentos da ANVISA, do Conselho Federal de Medicina, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, além de artigos científicos disponíveis no Google Scholar. Foram utilizados descritores em português, incl uindo “implantes hormonais subcutâneos”, “chip da beleza”, “gestrinona” e “eventos adversos”. Foram priorizados estudos e documentos relacionados aos riscos clínicos, eventos adversos, implicações éticas e aspectos regulatórios do uso de terapias hormonais com finalidade estética. DISCUSSÃO: A gestrinona é uma das substâncias mais frequentemente associadas aos implantes hormonais subcutâneos. Trata- se de um progestágeno sintético derivado da 19 -nortestosterona, com efeitos antiestrógenos, antiprogestagênicos e androgênicos, utilizado em contextos específicos, como no tratamento da dor pélvica associada à endometriose (RODRIGUES et al., 2022). Entretanto, devido às suas ações androgênicas, difundiu -se a ideia de que o implante de gestrinona atuaria como um “c hip da beleza”, sendo associado à redução da massa gorda, ao aumento da massa muscular e à elevação da libido. Nesse cenário, observa -se crescimento do uso de implantes hormonais contendo esteroides sexuais e seus derivados, especialmente a gestrinona, com finalidade estética. Paralelamente, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia tem alertado para o aumento de relatos de efeitos adversos em mulheres (SBEM, 2021). Entre as complicações descritas, destacam -se dislipidemia, hipertensão arterial , arritmias, acidente vascular cerebral, acne, alopecia, hipertricose, alteração da voz, rouquidão, insônia, agitação, cefaleia e possíveis disfunções hepáticas, renais, musculares e psiquiátricas (DE FARIA ROLLER et al., 2023). Nesse contexto, o Conselho Federal de Medicina veda a prescrição de esteroides androgênicos e anabolizantes para fins estéticos, devido à ausência de comprovação científica suficiente quanto aos benefícios e à segurança do paciente (CFM, 2023). CONCLUSÃO: O uso estético de implantes hormonais subcutâneos preocupa a endocrinologia pela exposição a substâncias androgênicas sem indicação clínica ou segurança comprovada. A gestrinona, divulgada como “chip da beleza”, pode causar efeitos adversos sistêmicos. Portanto, são essenciais presc rição baseada em evidências, fiscalização e educação em saúde para uso racional hormonal seguro.Publicado
2026-10-01
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Resumos