IMPACTOS DA OBESIDADE MATERNA SOBRE O DESENVOLVIMENTO ENDÓCRINO, NEUROLÓGICO E CARDIOVASCULAR DA PROGÊNIE

Autores

  • Júlia Karoline Viana Fabi Autor
  • Cynthia de Paula Costa Borba Autor
  • Júlia Rosa Oliveira Autor
  • Maria Eduarda Pereira Ferreira Autor
  • Maria Júlia Biazon Alves Autor

Palavras-chave:

Obesidade, Gestação, Diabetes Gestacional.

Resumo

A obesidade é uma doença que tem sido cada vez mais prevalente entre mulheres em idade reprodutiva, tornando-se mais comum o desenvolvimento da gestação nesse contexto. Essa condição é caracterizada por um estado de inflamação crônica de baixo grau, decorrente da disfunção do tecido adiposo e de alterações metabólicas. A exposição intrauterina do feto a esse ambiente inflamatório e metabolicamente desregulado pode impactar negativamente no desenvolvimento fetal por meio de mecanismos epigenéticos e alterações na programação metabólica. Como consequência, observa-se maior risco de complicações gestacionais, como diabetes gestacional e pré-eclâmpsia, além de efeitos adversos para a progênie, incluindo pré-disposição a doenças cardiovasculares, endócrinas e neurocomportamentais. Esta revisão tem como objetivo analisar as principais consequências da obesidade materna para a progênie, com foco nas alterações do sistema endócrino, neurológico e cardiovascular. Trata-se de uma revisão narrativa em que, inicialmente, foi realizada a busca dos descritores na plataforma de descritores em ciências da saúde (DeCS/MeSH) e formulada a estratégia de busca: ((Pregnancy in Obesity) OR (Obesity)) AND (Diabetes Complications). A busca foi realizada na base de dados 24 - 2025 PubMed, foram utilizados os filtros: “free full text”; “2015 - 2025”. Foram encontrados 9.229 artigos, dos quais 6 foram incluídos nessa revisão. Resultados apontam que a obesidade materna está associada a efeitos multissistêmicos na prole, com repercussões a curto e longo prazo. Estudos demonstram maior risco de distúrbios metabólicos, como obesidade e resistência à insulina, decorrentes da hiperglicemia intrauterina. Além disso, observam-se alterações cardiovasculares, incluindo espessamento ventricular e comprometimento da função diastólica. Mecanismos inflamatórios e epigenéticos também desempenham um papel crucial, predispondo a prole a doenças crônicas, com impactos nos sistemas imunológico, metabólico e neurológico. Destaca-se ainda a associação com transtornos do neurodesenvolvimento, como TDAH e autismo, além de transtornos psiquiátricos, mediados por disfunções placentárias, e vias de sinalização alteradas. Diante do exposto, o sobrepeso no período gestacional representa um importante fator de risco para a saúde da progênie, influenciando negativamente o desenvolvimento dos sistemas endócrino, neurológico e cardiovascular. Esses achados reforçam a urgência de intervenções precoces, desde o pré-natal, a fim de mitigar os efeitos adversos da obesidade materna na saúde das futuras gerações.

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Publicado

2026-10-01