ASSOCIAÇÃO DE HOMEOPÁTICO NO TRATAMENTO DE AUTOMUTILAÇÃO EM GAMBÁ-DE-ORELHAS-BRANCAS (Didelphis albiventris)
Palavras-chave:
Automutilação, Distúrbios comportamentais, Mamífero selvagem, Plumbum metallicum, Repertorização homeopática.Resumo
De acordo com a literatura, o osso mais acometido em fraturas de gambás é o crânio, seguido pela coluna vertebral, principalmente em ataques por cães, que dependendo da gravidade, podem afetar os filhotes presentes no marsúpio ou no dorso das fêmeas. O objetivo deste resumo é relatar o tratamento homeopático para automutilação em gambá após fratura em coluna. Deu entrada no Hospital Veterinário da Uniube (HVU) um filhote de gambá-de-orelhas-brancas (Didelphis albiventris), macho, de aproximadamente três meses de idade, 50 gramas, apresentando paralisia dos membros posteriores. No exame radiográfico confirmou a fratura em epífise cranial da 13ª vértebra torácica em consolidação. Após cinco meses, o animal desenvolveu automutilação nas extremidades dos membros pélvicos, sendo instituído protocolo com pregabalina (5mg/kg, BID, VO), além da realização do curativo com pomada de ação cicatrizante. Mesmo após um mês do tratamento da pregabalina, o paciente mantinha o hábito de se automutilar esporadicamente. Foi solicitado o uso de medicamento homeopático para auxiliar no tratamento da automutilação. Após reavaliação clínica do quadro apresentado, procedeuse à repertorização dos sinais clínicos utilizando repertório digital, com análise de sete rubricas específicas: irritabilidade por toque, irritabilidade geral, paralisia indolor, paralisia dos membros inferiores, paralisia indolor dos membros inferiores, desejo de morder a si mesmo e desejo de morder. Com base na repertorização, foi acrescentado Plumbum metallicum 200CH (5 glóbulos, BID, VO), que obteve a maior cobertura sintomática (6/7 sintomas) com 12 pontos. Após 15 dias foi possível notar evidente melhora no comportamento, com espaçamento entre os episódios de automutilação. Aos 21 dias foi suspendido a pregabalina, mantendo-o apenas com o uso do medicamento homeopático, o qual se mostrou extremamente eficaz, visto que não foi mais evidenciado a automutilação. A automutilação pode ser sugestiva de dor neuropática, levando a alterações de comportamento e ansiedade. A escolha fundamentou-se na correlação com a matéria médica: paralisia indolor dos membros inferiores, irritabilidade por toque e comportamento autodestrutivo. A escolha da potência 200CH fundamentou-se no § 279 do Organon, no qual recomenda a utilização de medicamentos em alta dinamização nos casos de enfermidades graves, desde que não haja comprometimento orgânico considerável. O animal permanece até o momento sem episódios de automutilação durante três meses de acompanhamento. A eficácia do Plumbum metallicum foi evidenciada pela cessação completa do comportamento autodestrutivo após suspensão do tratamento alopático, demonstrando a capacidade da homeopatia em modular distúrbios neurocomportamentais e restabelecer o equilíbrio do princípio vital.